Saíram os dados consolidados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados pelo Ministério do Trabalho, sobre o mercado de trabalho brasileiro no ano de 2014. No total do ano passado o país criou 396.993 postos de trabalho formais (com carteira assinada). É o pior resultado desde o ano de 2002 e muito abaixo da meta estabelecida pelo governo, que era de 1.000.000 de vagas criadas.
O que isso, mais uma vez, evidencia? A falência de um modelo de política econômica baseada na mão pesada do Estado, com intervenções e microgerenciamento dos mercados, protecionismo, gastos públicos elevados, irresponsabilidade fiscal e contabilidade criativa, campeões nacionais (leia-se empresários amigos do governante), política monetária irresponsável, enfim, o tal Estado indutor do desenvolvimento que o Delfim Netto e o Luiz Gonzaga Belluzzo (aquele que estragou o Palmeiras e agora ajudou a estragar o Brasil) tanto adoram.
Agora cotejem essa informação com dois dos meus anteriores: este e este. Há menos emprego sendo criado no mercado, a inflação está bastante alta, puxada principalmente pelos alimentos (e não é a primeira vez que isso acontece, lembram-se da explosão no preço do tomate?) e vem aumentos de impostos por aí (isso sem falar nos assombrosos escândalos de corrupção). Tudo isso traça um cenário, presente e futuro, bastante sombrio para o Brasil, com especial gravidade para as pessoas mais pobres - ao contrário do frequente discurso da esquerda, eu sou de direita, liberal, e me importo muito com essa gente.
Não é de se espantar que o crescimento do PIB tenha sido tão pífio ano passado e que há quem (eu quase estou entre eles) estime para este ano até mesmo uma recessão.
A arrogância de quem achou que podia controlar a economia não foi perdoada. Adam Smith foi subestimado por esse governo e sua mão invisível foi implacável.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2015
Cancela O Churrasco!
Acabou de sair do forno o IPCA-15¹ - considerado uma prévia do índice oficial de inflação, o IPCA -, divulgado pelo IBGE.
Adivinhem só? A inflação subiu de novo, acelerando de 0,79% em dezembro de 2014 para 0,89% em janeiro deste ano. Compondo o índice acumulado nos últimos 12 meses (encerrados em janeiro de 2015) a alta nos preços da economia brasileira é de 6,69%, muito acima da meta de inflação do país.
Lembremos, meus caros, a meta oficial é 4,50% ao ano e não 6,50%! Esses dois pontos percentuais para mais ou para menos são uma banda de tolerância para a meta, de modo a comportar choques bruscos e inesperadas na economia. São um limite de descumprimento aceitável da meta que, repito, é 4,50%. Esse é o valor que chamam na imprensa de "centro da meta". Centro da meta uma ova! 4,50% é a própria meta. 6,50% é só o limite máximo da cagada tolerável, com o perdão da palavra, criado de modo a permitir que o país suporte pancadas sem maiores consequências adversas e não para acomodar a completa incompetência e subserviência dos responsáveis por zelar pelo valor do Real.
Mas volto ao eixo (e explico o título). Dentre todos os bens de consumo que compõem a cesta cujo valor é pesquisado pelo IBGE, qual grupo deles teve o aumento mais importante para a alta geral do índice? Alimentação e bebidas e, dentro dele, a carne!, com aumento de 1,45% no período. Outros alimentos que tiveram aumento significativo de preços foram a batata-inglesa (32,86%) e o feijão carioca (24,25%).
Por que isso me irrita profundamente? Justamente porque o que mais está aumentando de preço é a comida. No Brasil, com população ainda majoritariamente pobre ou pouco melhor que isso, o aumento (constante) nos preços dos alimentos é moralmente criminoso, doloso, pois significa que as pessoas terão mais dificuldade de colocar comida no prato, com consequências adversas sobre todos os aspectos da sua vida.
Ao contrário da campanha eleitoral de Dilma, a sumida, não é a independência do Banco Central que faz sumir comida da mesa, é a inflação, que seu governo deixou comer solta por 4 anos. Tivéssemos um BC formal e verdadeiramente independente, aquele pudim do Alexandre Tombini jamais teria presidido o banco (pudim porque não tem consistência nenhuma, é um pau mandado, nada a ver com o tamanho da sua pança).
E não vamos nos esquecer de que tudo isso aconteceu no governo daquela que, juntamente com seu grupo político, sempre posaram de os únicos defensores dos pobres e miseráveis no Brasil. Mentira! Agora é aguentar o tranco e torcer para que as medidas econômicas amargas que estão sendo colocadas em prática sirvam, ao menos, pra colocar a casa minimamente em ordem. E claro, cancelar o churrasco, porque tá muito caro!
¹ Suponha que atualmente estamos no mês de setembro. A diferença entre o IPCA-15 pro IPCA é o período de coleta dos dados. Enquanto no IPCA o período iria, no nosso exemplo, do dia 01 ao dia 30 de setembro, no IPCA-15 o período seria do dia 15 de agosto ao dia 15 de setembro. Quem quiser saber mais é só entrar em www.ibge.gov.br, na sessão "indicadores", e acessar o IPCA - INPC e o IPCA-15 para verificar as metodologias. ;)
quarta-feira, 21 de janeiro de 2015
Diferenças De Postura. Ou: Confiança.
Saiu na Veja.com: "A investidores, Levy diz que Brasil vai ter crescimento próximo de zero em 2015". Reparem na diferença brutal de postura em relação ao seu antecessor na pasta, Guido Mantega (o equivocado). Todo início de ano era a mesma ladainha. Enquanto o mercado estimava um PIBinho pro ano, o ministro sempre vinha com a mesma estimativa furada: "crescimento da ordem de 4,5% 4,0% esse ano". Obviamente, ao final de cada ano, o mercado estava certo e o ministro, errado.
Só nessa reunião com investidores, o novo ministro demonstra que é muito mais sério que o anterior. Não veio de conversa mole, na qual ninguém acredita, e que só dilapida a credibilidade do país. Foi realista, não maquiou a situação do país e, se não deu boas notícias pra ninguém, ao menos mostra que, ao menos por enquanto, pode-se confiar nele.
Só nessa reunião com investidores, o novo ministro demonstra que é muito mais sério que o anterior. Não veio de conversa mole, na qual ninguém acredita, e que só dilapida a credibilidade do país. Foi realista, não maquiou a situação do país e, se não deu boas notícias pra ninguém, ao menos mostra que, ao menos por enquanto, pode-se confiar nele.
Joaquim Levy e Seu Saco de Maldades Que Vêm Para O Bem.
Já tá todo mundo sabendo: abriram o saco de maldades: vem aumento (forte) de impostos por aí - conta de luz, gasolina, importações, IPI, transações financeiras (IOF), imposto de renda (vai aumentar a defasagem da tabela) e por aí vai. A nossa vida vai ficar (consideravelmente) mais cara. É a fatura dos 8 anos (o segundo mandato de Lula, em menor grau, e o primeiro mandato de Dilma, com gosto!) de farra na economia chegando. Acharam que dinheiro nasce em árvore, que um país se desenvolve por meio do pensamento positivo, da "querência", sem trabalho duro. Ledo engano!
Mas, como diz o ditado, há males que vêm para bem. "Ah, Bruno, quer dizer que você gosta de impostos altos, é?". Não, não gosto nem um pouco. Por mim eles seriam bem baixinhos, baixinhos, e assim pra todo mundo, não só pra alguns "benzidos", que ganham exonerações. Acontece que eu não gosto nem um pouquinho também de um país quebrado. E é exatamente isso que iria acontecer com o Brasil caso o rombo fiscal (e o resto da bagunça) se mantivesse: quebrar, ir à bancarrota, falir! Deu pra entender?
A partir do segundo governo Lula, sob os auspícios do então (e até outro dia) ministro da fazenda Guido Mantega (a piada), o governo começa a fazer o que realmente gosta: se esbaldar com o dinheiro do contribuinte.
Se então havia uma forte crise mundial e se há, sim, boas justificativas teóricas para que o governo tenha uma posição fiscal expansionista em épocas de crise, atuando como uma espécie de salva-vidas, também é verdade que essas mesmas justificativas prescrevem que, tão logo a situação normalize e a economia se recupere, o governo deve voltar ao caminho da austeridade e da responsabilidade fiscais.
Só que, como não poderia deixar de ser, a segunda parte o pessoal convenientemente sempre "esquece" e nunca bota em prática, preferindo seguir se apoiando na muleta do Estado "Delfimniano" - Estado indutor do desenvolvimento¹, quando, no mais das vezes, a única coisa que o Estado realmente induz são crises econômicas) - e continuar a gastar os tubos. O que pode e principalmente o que não pode.
Essa situação se agrava consideravelmente no governo Dilma I, sob o comando da presidenta e o apoio incondicional de Guido Mantega (o paspalho), com mais aumentos nos gastos públicos, contabilidade criativa (leia-se falsa), fechamento da economia aos mercados globais (como esquecer o aumento de 30 pontos percentuais (!) no IPI para carros importados?) intervenções estapafúrdias na economia - como na renovação dos contratos das geradoras de energia, a canetada que diminuiu a conta de luz na marra e os inúmeros pacotes de estímulo econômicos editados, cada um mais fadado ao fracasso que o anterior, bolsa empresário, alta da inflação, o comportamento bovino do Banco Central de Alexandre Tombini, recusando-se a combatê-la como se deve, o represamento de diversos preços, intervenções no câmbio, etc..
Tudo isso, somado, levou o Brasil ao presente estado de calamidade: confiança e o investimento dos empresários em baixa, as contas públicas em petição de miséria, crise energética, inflação alta e resistente, crescimento econômico pífio (quando existente).
Se fatores externos, como as consequências da crise internacional e a desaceleração da economia chinesa influenciam na má performance do nosso país, a esmagadora maioria da culpa é sim da d. Dilma - basta comparar a nossa situação com a dos nossos parceiros emergentes. Agora, sem ter mais pra onde correr, sob pena de quebrar o país, eis que a presidente se vê obrigada a recrutar uma equipe econômica ortodoxa pra tentar arrumar a bagunça tão defendida por economistas como Delfim Netto (ele de novo!) e Antônio Carlos Beluzzo.
A receita para fazer as coisas entrarem nos eixos não é nem misteriosa e nem muito complexa. Ela pode ser resumida em responsabilidade fiscal, combate à inflação, transparência, isonomia e liberdade. Mas o que tem de simples tem também de difícil, pois conta com uma adversária poderosíssima: a própria Dilma. Se ela nomeou uma equipe ortodoxa para o comando da economia, foi porque precisava, não por convicção. Ela simplesmente não acredita nas medidas que estão sendo postas em prática. Ela acredita é nas medidas do seu primeiro mandato!
Evidentemente, no que compete ao rombo nas contas públicas, a maneira ideal de realizar o ajuste fiscal seria através de um forte programa de austeridade, com cortes bastante expressivos nas despesas do governo. Só que, quais as chances de isso realmente ocorrer no Brasil, ainda mais com o PT, um partido centralizador e crente no poder do Estado na economia,? Zero! Repito: zero! Qual a única outra alternativa, então, para botar as contas em ordem (ainda que temporária)? Sim: meter ainda mais a mão no bolso do cidadão.
Deixo agora explícita a minha posição: por mais que eu deteste o aumento nos impostos, a continuação do (crescente) déficit público teria consequências sobre as nossas vidas ainda mais perversas! Caso o país falisse, o que, na minha opinião era uma possibilidade cada vez mais real, os efeitos sobre o crescimento do PIB, o desemprego, a inflação, a renda das pessoas e o investimento seriam muito piores do que os efeitos deletérios que o aumento nos nossos impostos terá sobre essas mesmas variáveis.
Se o remédio dos impostos tem um gosto bastante amargo, ao menos ele "cura" o cura, permitindo que ele volte à sua vida normal. Por outro lado, a alternativa, o não tratamento da doença, não teria qualquer efeito positivo e certamente levaria, mais dia menos dia, o paciente a óbito.
Agora, só nos resta torcer pelo sucesso dos médicos, que o tratamento seja eficaz e que a medicação não encontre muita resistência no próprio sistema imunológico do paciente, para que, no futuro, ao invés do remédio amargo, nós possamos voltar a comer churrasco e a tomar sorvete (que seja rápido, porque tá um calor danado!).
Mas, como diz o ditado, há males que vêm para bem. "Ah, Bruno, quer dizer que você gosta de impostos altos, é?". Não, não gosto nem um pouco. Por mim eles seriam bem baixinhos, baixinhos, e assim pra todo mundo, não só pra alguns "benzidos", que ganham exonerações. Acontece que eu não gosto nem um pouquinho também de um país quebrado. E é exatamente isso que iria acontecer com o Brasil caso o rombo fiscal (e o resto da bagunça) se mantivesse: quebrar, ir à bancarrota, falir! Deu pra entender?
A partir do segundo governo Lula, sob os auspícios do então (e até outro dia) ministro da fazenda Guido Mantega (a piada), o governo começa a fazer o que realmente gosta: se esbaldar com o dinheiro do contribuinte.
Se então havia uma forte crise mundial e se há, sim, boas justificativas teóricas para que o governo tenha uma posição fiscal expansionista em épocas de crise, atuando como uma espécie de salva-vidas, também é verdade que essas mesmas justificativas prescrevem que, tão logo a situação normalize e a economia se recupere, o governo deve voltar ao caminho da austeridade e da responsabilidade fiscais.
Só que, como não poderia deixar de ser, a segunda parte o pessoal convenientemente sempre "esquece" e nunca bota em prática, preferindo seguir se apoiando na muleta do Estado "Delfimniano" - Estado indutor do desenvolvimento¹, quando, no mais das vezes, a única coisa que o Estado realmente induz são crises econômicas) - e continuar a gastar os tubos. O que pode e principalmente o que não pode.
Essa situação se agrava consideravelmente no governo Dilma I, sob o comando da presidenta e o apoio incondicional de Guido Mantega (o paspalho), com mais aumentos nos gastos públicos, contabilidade criativa (leia-se falsa), fechamento da economia aos mercados globais (como esquecer o aumento de 30 pontos percentuais (!) no IPI para carros importados?) intervenções estapafúrdias na economia - como na renovação dos contratos das geradoras de energia, a canetada que diminuiu a conta de luz na marra e os inúmeros pacotes de estímulo econômicos editados, cada um mais fadado ao fracasso que o anterior, bolsa empresário, alta da inflação, o comportamento bovino do Banco Central de Alexandre Tombini, recusando-se a combatê-la como se deve, o represamento de diversos preços, intervenções no câmbio, etc..
Tudo isso, somado, levou o Brasil ao presente estado de calamidade: confiança e o investimento dos empresários em baixa, as contas públicas em petição de miséria, crise energética, inflação alta e resistente, crescimento econômico pífio (quando existente).
Se fatores externos, como as consequências da crise internacional e a desaceleração da economia chinesa influenciam na má performance do nosso país, a esmagadora maioria da culpa é sim da d. Dilma - basta comparar a nossa situação com a dos nossos parceiros emergentes. Agora, sem ter mais pra onde correr, sob pena de quebrar o país, eis que a presidente se vê obrigada a recrutar uma equipe econômica ortodoxa pra tentar arrumar a bagunça tão defendida por economistas como Delfim Netto (ele de novo!) e Antônio Carlos Beluzzo.
A receita para fazer as coisas entrarem nos eixos não é nem misteriosa e nem muito complexa. Ela pode ser resumida em responsabilidade fiscal, combate à inflação, transparência, isonomia e liberdade. Mas o que tem de simples tem também de difícil, pois conta com uma adversária poderosíssima: a própria Dilma. Se ela nomeou uma equipe ortodoxa para o comando da economia, foi porque precisava, não por convicção. Ela simplesmente não acredita nas medidas que estão sendo postas em prática. Ela acredita é nas medidas do seu primeiro mandato!
Evidentemente, no que compete ao rombo nas contas públicas, a maneira ideal de realizar o ajuste fiscal seria através de um forte programa de austeridade, com cortes bastante expressivos nas despesas do governo. Só que, quais as chances de isso realmente ocorrer no Brasil, ainda mais com o PT, um partido centralizador e crente no poder do Estado na economia,? Zero! Repito: zero! Qual a única outra alternativa, então, para botar as contas em ordem (ainda que temporária)? Sim: meter ainda mais a mão no bolso do cidadão.
Deixo agora explícita a minha posição: por mais que eu deteste o aumento nos impostos, a continuação do (crescente) déficit público teria consequências sobre as nossas vidas ainda mais perversas! Caso o país falisse, o que, na minha opinião era uma possibilidade cada vez mais real, os efeitos sobre o crescimento do PIB, o desemprego, a inflação, a renda das pessoas e o investimento seriam muito piores do que os efeitos deletérios que o aumento nos nossos impostos terá sobre essas mesmas variáveis.
Se o remédio dos impostos tem um gosto bastante amargo, ao menos ele "cura" o cura, permitindo que ele volte à sua vida normal. Por outro lado, a alternativa, o não tratamento da doença, não teria qualquer efeito positivo e certamente levaria, mais dia menos dia, o paciente a óbito.
Agora, só nos resta torcer pelo sucesso dos médicos, que o tratamento seja eficaz e que a medicação não encontre muita resistência no próprio sistema imunológico do paciente, para que, no futuro, ao invés do remédio amargo, nós possamos voltar a comer churrasco e a tomar sorvete (que seja rápido, porque tá um calor danado!).
segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
O Casamento Dilma e Joanelson Barbosy. Ou: O Que Vem Por Aí na Economia.
Eu realmente não tomo jeito, e escrevo no blog muito menos do que gostaria ou deveria. Mas vamos lá, dar mais alguns pitacos.
Dessa vez, o post será sobre economia mesmo (tava na hora, né!).
Enfim. Dilma II, contrariando tudo o que Dilma I prometera na campanha, nomeou uma equipe econômica de corte ortodoxo (o principal nome é Joaquim Levy), um verdadeiro estelionato eleitoral. Mas, se isso é péssimo do ponto de vista dos valores democráticos e da confiança do povo nos seus representantes eleitos, do ponto de vista puramente econômico a decisão foi correta. Caso realmente cumprisse suas promessas de campanha, aí que a situação seria realmente ruim (para a economia).
Quer dizer que agora o Brasil vai voltar aos trilhos e retomar o crescimento? Mais ou menos. Eu, particularmente, duvido um bocado.
Primeiro porque uma andorinha só não faz verão, pra ficar no clichê. Se a equipe econômica de Dilma é decente, o mesmo não se pode dizer sobre o resto do seu gigantesco ministério, que, além de pouco capaz, não tem perfil austero (leia-se poupador do dinheiro do contribuinte). Outro fator é o próprio tamanho do ministério, com 39 pastas! Em terceiro lugar, dada tal diferença de perfis, é evidente que brigas internas irão ocorrer, com Levy e Barbosa* (Nelson Barbosa, ministro do planejamento) de um lado, tentando segurar o cheque, e o resto da turma do outro, querendo cada um mil folhas assinadas e em branco. Meu pitaco é que os gastões levam a parada.
Em quarto lugar, está o como o ajuste fiscal irá ser realizado, com uma pequena parcela de contenção efetiva de gastos e em sua maior parte com aumento de impostos, tarifas, contribuições sobre os já atolados contribuintes. Se o aumento na carga contribuirá para diminuir o rombo fiscal e aumentar a confiança do setor privado, também é verdade que irá cortar a renda do cidadão (que já não é lá aquelas coisas!), diminuindo seu consumo e afugentar investimentos, tanto de brasileiros quanto internacionais, prejudicando a atividade econômica. A depender da sua magnitude, tal efeito desacelerador sobre a economia pode diminuir a vontade da presidente de persistir no ajuste fiscal.
Por último, mas, na minha opinião o fator mais importante, temos justamente Dilma Rousseff. As pessoas tendem a agir com mais ímpeto em prol daquilo em que acreditam, e Dilma Rousseff definitivamente não acredita em na necessidade de um governo fiscalmente responsável, austero. Se ela hoje desposa "Joanelson Barbosy", sua cabecinha só pensa em e seu coraçãozinho bate mais forte é por Guido Mantega, mesmo. Por mais que ele fosse o fantoche da presidente, era um fantoche apaixonado, que seguia gostosamente "o que a mestra mandava". Tanto Dilma quanto Guido pensam igual a respeito da economia e do papel do Estado nela. Ou seja: se ela nomeou uma equipe mais ortodoxa para o segundo mandato, foi por "precisão" e não por "gostosura". O que quer dizer que, na primeira oportunidade concreta, vai dar um pé na bunda do Joanelson e voltar com gosto à gastança desenfreada.
Minha especulação agora é o grau de autonomia que a dupla Joaquim Nelson terá e quanto tempo ela dura no cargo. Infelizmente, acho que não muito para ambas as questões.
* Não inclui o Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, na turma "fiscalista" porque esse é mole igual pudim (nada a ver com o tamanho e a firmeza da sua barriga). Não tem autonomia nenhuma, não tem vontade nenhuma, balança pra onde for mandado.
Dessa vez, o post será sobre economia mesmo (tava na hora, né!).
Enfim. Dilma II, contrariando tudo o que Dilma I prometera na campanha, nomeou uma equipe econômica de corte ortodoxo (o principal nome é Joaquim Levy), um verdadeiro estelionato eleitoral. Mas, se isso é péssimo do ponto de vista dos valores democráticos e da confiança do povo nos seus representantes eleitos, do ponto de vista puramente econômico a decisão foi correta. Caso realmente cumprisse suas promessas de campanha, aí que a situação seria realmente ruim (para a economia).
Quer dizer que agora o Brasil vai voltar aos trilhos e retomar o crescimento? Mais ou menos. Eu, particularmente, duvido um bocado.
Primeiro porque uma andorinha só não faz verão, pra ficar no clichê. Se a equipe econômica de Dilma é decente, o mesmo não se pode dizer sobre o resto do seu gigantesco ministério, que, além de pouco capaz, não tem perfil austero (leia-se poupador do dinheiro do contribuinte). Outro fator é o próprio tamanho do ministério, com 39 pastas! Em terceiro lugar, dada tal diferença de perfis, é evidente que brigas internas irão ocorrer, com Levy e Barbosa* (Nelson Barbosa, ministro do planejamento) de um lado, tentando segurar o cheque, e o resto da turma do outro, querendo cada um mil folhas assinadas e em branco. Meu pitaco é que os gastões levam a parada.
Em quarto lugar, está o como o ajuste fiscal irá ser realizado, com uma pequena parcela de contenção efetiva de gastos e em sua maior parte com aumento de impostos, tarifas, contribuições sobre os já atolados contribuintes. Se o aumento na carga contribuirá para diminuir o rombo fiscal e aumentar a confiança do setor privado, também é verdade que irá cortar a renda do cidadão (que já não é lá aquelas coisas!), diminuindo seu consumo e afugentar investimentos, tanto de brasileiros quanto internacionais, prejudicando a atividade econômica. A depender da sua magnitude, tal efeito desacelerador sobre a economia pode diminuir a vontade da presidente de persistir no ajuste fiscal.
Por último, mas, na minha opinião o fator mais importante, temos justamente Dilma Rousseff. As pessoas tendem a agir com mais ímpeto em prol daquilo em que acreditam, e Dilma Rousseff definitivamente não acredita em na necessidade de um governo fiscalmente responsável, austero. Se ela hoje desposa "Joanelson Barbosy", sua cabecinha só pensa em e seu coraçãozinho bate mais forte é por Guido Mantega, mesmo. Por mais que ele fosse o fantoche da presidente, era um fantoche apaixonado, que seguia gostosamente "o que a mestra mandava". Tanto Dilma quanto Guido pensam igual a respeito da economia e do papel do Estado nela. Ou seja: se ela nomeou uma equipe mais ortodoxa para o segundo mandato, foi por "precisão" e não por "gostosura". O que quer dizer que, na primeira oportunidade concreta, vai dar um pé na bunda do Joanelson e voltar com gosto à gastança desenfreada.
Minha especulação agora é o grau de autonomia que a dupla Joaquim Nelson terá e quanto tempo ela dura no cargo. Infelizmente, acho que não muito para ambas as questões.
* Não inclui o Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, na turma "fiscalista" porque esse é mole igual pudim (nada a ver com o tamanho e a firmeza da sua barriga). Não tem autonomia nenhuma, não tem vontade nenhuma, balança pra onde for mandado.
quarta-feira, 10 de dezembro de 2014
Os Jogos São Vorazes, Mas São Predadores? Parte 2. Ou: O Autoritarismo "Do Bem" da Ancine
Acabo de ler no Estadão que a Ancine vai realmente impor um limite ao número de salas de cinema que um mesmo filme pode ocupar no Brasil.
Sou apaixonado por cinema, por isso minha indignação não podia ser maior!
Mas claro, tudo vem com a embalado como "solução autorreguladora" do mercado. Uma Ova! Segundo se lê, a decisão foi tomada pela Ancine em conjunto "com uma câmara técnica formada por profissionais da indústria brasileira" - que me cheira a uma patota pedindo incentivo e proteção estatais -, com o intuito de corrigir "deficiências mercadológicas encontradas pela entidade". De acordo com a agência reguladora, a concentração das exibições em salas de cinema em um mesmo título "tende a prejudicar a atividade de exibição como um todo e constituir padronização e simplificação indesejáveis na fruição de bens culturais".
Ainda que eu concorde plenamente com a entidade e prefira uma maior diversidade de títulos sendo exibidos nas salas de cinema e que a concentração das sessões em um mesmo título seja realmente indesejável à cultura do país, porque eu, ou a Ancine, devamos ter o poder de enfiar goela abaixo dos exibidores o que eles podem ou não fazer? Só porque é "do bem", porque é "bom", é em prol do "belo e justo"?
Ora bolas, mais "do bem", "bom, belo e justo" que limitar através da coerção estatal a exibição de um determinado filme não é dar a liberdade para que as pessoas façam o que bem entender com seus negócios? Afinal, um dos ideais mais caros dessa gente não é a luta em prol da liberdade? Ou, pra essa gente, liberdade é só a liberdade de fazer o que eles querem que você faça?
O Brasil precisa urgentemente aprender uma coisa: não é porque determinada ação é benéfica e desejável que o Estado deva ter o poder de coagir as pessoas a tomá-la. Ainda que a maior diversidade de filmes nas salas de cinema seja benéfica e desejável, e, de fato, são, o Estado não deveria ter o direito de coagir as empresas a tanto. Fazer isso é puro autoritarismo. Até mesmo porque salas de cinemas não são concessões públicas.
Já disse antes e repito: antes de serem bens culturais, filmes e salas de cinema são bens privados, devendo servir antes de tudo os seus respectivos donos (leia-se gerar riqueza/lucro). Por extensão e necessidade (especialmente em um mercado altamente competitivo), devem, sim, servir da melhor maneira possível os seus consumidores.
Além disso, a Ancine e a tal câmara técnica podem entender tudo de cinema, mas não entendem patavinas de mercado. A limitação na exibição dos blockbusters (que só são blockbuster porque muitas pessoas desejam vê-los) pode até mesmo prejudicar a diversidade nos cinemas. "Como assim?" Bem, obviamente, as empresas irão perder receita ao ter de aderir à regra em favor "da diversidade e do bem cultural do Brasil", ou, e isso é apenas lógico, já teriam ampliado a variedade da sua exibição por conta própria, né! Receita essa que, suponho eu, terá de ser compensada de alguma outra maneira. De qual maneira? Aumentando a concentração (mas ainda dentro da regra) dos filmes médios, diminuindo assim, a sacrossanta pluralidade.
Se antes uma sala de cinema ou multiplex, por causa do dinheiro arrecadado com essas produções gigantescas podia se dar ao luxo de "perder" receita nos outros períodos investimento em filmes menores, independentes, experimentais, extremamente autorais, etc., agora babau! Os empresários terão de aumentar a concentração de filmes de atração mediana ou um pouco acima disso, como forma de tentar recuperar a receita perdida com os arrasa quarteirões. Então, se antes uma meia dúzia de filmes "monopolizava" as salas durante intervalos curtos de tempo, a partir de janeiro de 2015 um número maior de películas vai dominar a grade - ainda que cada filme individualmente domine menos - durante um período maior de tempo.
Outra medida possível para compensar a perda de receita seria o bom e velho aumento de preços, quer seja da pipoca (que eu não gosto) ou do refrigerante (que eu gosto), quer seja do ingresso. E isso sem dizer que as duas medidas não possam ser aplicadas ao mesmo tempo. Olha que maravilha!
Enfim, o autoritarismo do bem da Ancine e da tal câmara técnica tem tudo pra ser um tiro nos próprios pés, além de prejudicar, principalmente, os espectadores e apaixonados por cinema, como eu.
Sou apaixonado por cinema, por isso minha indignação não podia ser maior!
Mas claro, tudo vem com a embalado como "solução autorreguladora" do mercado. Uma Ova! Segundo se lê, a decisão foi tomada pela Ancine em conjunto "com uma câmara técnica formada por profissionais da indústria brasileira" - que me cheira a uma patota pedindo incentivo e proteção estatais -, com o intuito de corrigir "deficiências mercadológicas encontradas pela entidade". De acordo com a agência reguladora, a concentração das exibições em salas de cinema em um mesmo título "tende a prejudicar a atividade de exibição como um todo e constituir padronização e simplificação indesejáveis na fruição de bens culturais".
Ainda que eu concorde plenamente com a entidade e prefira uma maior diversidade de títulos sendo exibidos nas salas de cinema e que a concentração das sessões em um mesmo título seja realmente indesejável à cultura do país, porque eu, ou a Ancine, devamos ter o poder de enfiar goela abaixo dos exibidores o que eles podem ou não fazer? Só porque é "do bem", porque é "bom", é em prol do "belo e justo"?
Ora bolas, mais "do bem", "bom, belo e justo" que limitar através da coerção estatal a exibição de um determinado filme não é dar a liberdade para que as pessoas façam o que bem entender com seus negócios? Afinal, um dos ideais mais caros dessa gente não é a luta em prol da liberdade? Ou, pra essa gente, liberdade é só a liberdade de fazer o que eles querem que você faça?
O Brasil precisa urgentemente aprender uma coisa: não é porque determinada ação é benéfica e desejável que o Estado deva ter o poder de coagir as pessoas a tomá-la. Ainda que a maior diversidade de filmes nas salas de cinema seja benéfica e desejável, e, de fato, são, o Estado não deveria ter o direito de coagir as empresas a tanto. Fazer isso é puro autoritarismo. Até mesmo porque salas de cinemas não são concessões públicas.
Já disse antes e repito: antes de serem bens culturais, filmes e salas de cinema são bens privados, devendo servir antes de tudo os seus respectivos donos (leia-se gerar riqueza/lucro). Por extensão e necessidade (especialmente em um mercado altamente competitivo), devem, sim, servir da melhor maneira possível os seus consumidores.
Além disso, a Ancine e a tal câmara técnica podem entender tudo de cinema, mas não entendem patavinas de mercado. A limitação na exibição dos blockbusters (que só são blockbuster porque muitas pessoas desejam vê-los) pode até mesmo prejudicar a diversidade nos cinemas. "Como assim?" Bem, obviamente, as empresas irão perder receita ao ter de aderir à regra em favor "da diversidade e do bem cultural do Brasil", ou, e isso é apenas lógico, já teriam ampliado a variedade da sua exibição por conta própria, né! Receita essa que, suponho eu, terá de ser compensada de alguma outra maneira. De qual maneira? Aumentando a concentração (mas ainda dentro da regra) dos filmes médios, diminuindo assim, a sacrossanta pluralidade.
Se antes uma sala de cinema ou multiplex, por causa do dinheiro arrecadado com essas produções gigantescas podia se dar ao luxo de "perder" receita nos outros períodos investimento em filmes menores, independentes, experimentais, extremamente autorais, etc., agora babau! Os empresários terão de aumentar a concentração de filmes de atração mediana ou um pouco acima disso, como forma de tentar recuperar a receita perdida com os arrasa quarteirões. Então, se antes uma meia dúzia de filmes "monopolizava" as salas durante intervalos curtos de tempo, a partir de janeiro de 2015 um número maior de películas vai dominar a grade - ainda que cada filme individualmente domine menos - durante um período maior de tempo.
Outra medida possível para compensar a perda de receita seria o bom e velho aumento de preços, quer seja da pipoca (que eu não gosto) ou do refrigerante (que eu gosto), quer seja do ingresso. E isso sem dizer que as duas medidas não possam ser aplicadas ao mesmo tempo. Olha que maravilha!
Enfim, o autoritarismo do bem da Ancine e da tal câmara técnica tem tudo pra ser um tiro nos próprios pés, além de prejudicar, principalmente, os espectadores e apaixonados por cinema, como eu.
A Vaca Indo ("Embestada") Pro Brejo. Ou: Sou o Pessimildo da Campanha do PT, Mas Ainda Tenho Um Fiapo de Esperança no Brasil!
Comento sobre mais um post do Rodrigo Constantino no blog da Veja.com , que por sua vez comenta sobre uma carta enviada por Luís Stuhlberger, gestor do Fundo Verde, atualmente parte do Credit Suisse Hedging-Griffo, mas que irá se tornar independente em 2015, aos seus clientes.
Segundo tanto Stuhlberger quanto Constantino, o cenário é dos piores para a economia brasileira tanto em 2015 quanto depois, tanto por fatores econômicos internos quanto externos, e tanto por fatores econômicos quanto pelo atual momento político e (por que não?) cultural do Brasil. Leiam ao menos o comentário do Constantino, é curtinho e ele resume os principais pontos da carta enviada por Luís Stuhlberger.
Concordo com os autores em quase tudo, mas vejo uma saída. Existe uma única, mínima ponta de esperança de que os ajustes não sejam tão dolorosos em 2015, 2016, no cenário positivo, ou de que a economia brasileira não beije a lona, no cenário negativo: e essa esperança chama-se "setor privado" ou pode ser ainda mais resumida como simplesmente "mercado".
O custo de capital ainda está baixo no mundo, o que quer dizer que ainda há, graças a Deus, dinheiro sobrando.
Caso Dilma anunciasse um programa realmente sério, benfeito e gigantesco de privatizações, de abertura de mercados, de reformas previdenciária e tributária, principalmente, enfim, de "mercantilização" da economia, apesar da queda inicial no emprego e na atividade em setores setores(justamente naqueles beneficiados pelo protecionismo), acredito sinceramente que o efeito surpresa seria tão grande que, apesar dos dados correntes negativos, a onda de otimismo que tomaria conta dos investidores seria tão volumosa que os investimentos tenderiam a subir mesmo agora.
Mas, apesar de ainda ser novo, não sou idiota, e não tenho a menor esperança de que o governo do PT vá abraçar de vez o capitalismo (o liberal, ou capitalismo, a rigor mesmo, não é!).
ps. Engana-se enormemente quem acha que quem é a favor do liberalismo econômico seja uma pessoa maldosa, sem coração, à favor da concentração de renda, da miséria dos miseráveis e blá, blá, blá... É justamente o contrário!!! #Ficaadica
Segundo tanto Stuhlberger quanto Constantino, o cenário é dos piores para a economia brasileira tanto em 2015 quanto depois, tanto por fatores econômicos internos quanto externos, e tanto por fatores econômicos quanto pelo atual momento político e (por que não?) cultural do Brasil. Leiam ao menos o comentário do Constantino, é curtinho e ele resume os principais pontos da carta enviada por Luís Stuhlberger.
Concordo com os autores em quase tudo, mas vejo uma saída. Existe uma única, mínima ponta de esperança de que os ajustes não sejam tão dolorosos em 2015, 2016, no cenário positivo, ou de que a economia brasileira não beije a lona, no cenário negativo: e essa esperança chama-se "setor privado" ou pode ser ainda mais resumida como simplesmente "mercado".
O custo de capital ainda está baixo no mundo, o que quer dizer que ainda há, graças a Deus, dinheiro sobrando.
Caso Dilma anunciasse um programa realmente sério, benfeito e gigantesco de privatizações, de abertura de mercados, de reformas previdenciária e tributária, principalmente, enfim, de "mercantilização" da economia, apesar da queda inicial no emprego e na atividade em setores setores(justamente naqueles beneficiados pelo protecionismo), acredito sinceramente que o efeito surpresa seria tão grande que, apesar dos dados correntes negativos, a onda de otimismo que tomaria conta dos investidores seria tão volumosa que os investimentos tenderiam a subir mesmo agora.
Mas, apesar de ainda ser novo, não sou idiota, e não tenho a menor esperança de que o governo do PT vá abraçar de vez o capitalismo (o liberal, ou capitalismo, a rigor mesmo, não é!).
ps. Engana-se enormemente quem acha que quem é a favor do liberalismo econômico seja uma pessoa maldosa, sem coração, à favor da concentração de renda, da miséria dos miseráveis e blá, blá, blá... É justamente o contrário!!! #Ficaadica
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