Li, agora há pouco, a coluna do Arnaldo Jabor, de hoje no O Globo e o comentário do Rodrigo Constantino sobre ela, em seu blog na Veja.com. Agora, seguem os meus pensamentos:
Eu ainda (confesso que às vezes nem sei como) acredito, ou seria melhor dizer: "tenho fé"?, no Brasil. Mas vira e mexe me dá vontade de pensar de maneira puramente "econômica" e até mesmo egoística: será que compensa, salvar o Brasil?
O Brasil está extremamente degradado moralmente, de sorte que o esforço que nós, pessoas decentes (de esquerda, centro ou direita), teremos que exercer para botar as coisas nos eixos e fazer o país voltar a avançar será enorme. O preço que cada um de nós terá que pagar será, sem sombra de dúvidas, extremamente caro.
E, além disso, para avançar quanto?? Fazendo uma análise de custo benefício, será que, coletivamente, o avanço obtido compensa o custo no qual teremos de incorrer? E do ponto de vista individual, o que eu realmente ganho com isso? Será que as recompensas que eu posso auferir compensarão o sacrifício que eu irei necessariamente ter de fazer? Não seria melhor abandonar o país e ir viver em um lugar mais avançado, no qual meus objetivos serão atingidos de maneira mais rápida, em maior quantidade, com maior qualidade, e com menos esforço?
São pensamentos sombrios, sem dúvidas. Creio que somente o verdadeiro amor ao próximo (quer você seja religioso ou não, crente ou ateu) pode nos inspirar a dizer: "sim, vale a pena lutar pelo desenvolvimento, material e moral, do Brasil e eu estou disposto a fazer o sacrifício".
Mas, que às vezes bate um profundo desânimo, isso bate.
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Carga Tributária Brasileira Exportando Produção Para a Inglaterra
Olha só que mimo! Uma cervejaria artesanal da Amazônia, a Amazon Beer, vai produzir... na Inglaterra! Isso mesmo! A cervejaria brasileira, querendo ampliar seu mercado consumidor na Europa, firmou parceria com uma empresa inglesa para a produção da sua cerveja.
Um dos motivos que justificaram a parceria é a distância e o tempo de transporte. Como as cervejas artesanais da Amazon são feitas para serem consumidas jovens, o quanto antes, quanto mais perto sua produção estiver do mercado consumidor, melhor.
Até aí tudo excelente. Acontece que esse não é o único motivo. O outro motivo que incentivou a mudança da produção para a Inglaterra foi, adivinhem só?, o custo Brasil, com nossa pantagruélica carga tributária. Segundo Caio Guimarães, sócio da empresa, em declaração ao Estadão: "o que acontece é que com os custos dos insumos e os impostos aqui do Brasil, a gente chega sem condições de competir com o mercado externo. Nosso produto é pelo menos 40% mais caro feito aqui do lá fora".
Enquanto uma garrafa de Amazon Beer é vendida (sim, vendida, o que quer dizer que já leva em conta os custos de produção e o lucro do empresário) na Inglaterra por 1,20 libras, a mesma garrafinha no Brasil não sai por menos de 10 reais! Diz Caio: "É mais caro mesmo convertendo o preço".
Se a gente converter usando o preço da libra dado pelo Estadão, em torno de R$ 4, isso quer dizer que a mesma cerveja que a gente paga aqui, no mínimo, R$ 10, poderia estar chegando geladinha à nossa goela por R$ 4,80, uma diferença de R$ 5,20, o que daria pra comprar outra garrafa e ainda sobrar troco!
Qual a consequência disso? O Brasil perde em dobro. Perde uma vez por exportar a produção para outros países mais baratos e perde outra vez porque nós, consumidores, somos obrigados a pagar um preço bem mais caro pelo mesmo produto, o que significa que ou a gente gasta mais, ou a gente compra menos (ou ambos, hehe).
Já tá passando da hora de o país acordar para a necessidade "urgente urgentíssima" de simplificarmos e, principalmente, reduzirmos o volume de impostos pagos pelo cidadão brasileiro.
Um dos motivos que justificaram a parceria é a distância e o tempo de transporte. Como as cervejas artesanais da Amazon são feitas para serem consumidas jovens, o quanto antes, quanto mais perto sua produção estiver do mercado consumidor, melhor.
Até aí tudo excelente. Acontece que esse não é o único motivo. O outro motivo que incentivou a mudança da produção para a Inglaterra foi, adivinhem só?, o custo Brasil, com nossa pantagruélica carga tributária. Segundo Caio Guimarães, sócio da empresa, em declaração ao Estadão: "o que acontece é que com os custos dos insumos e os impostos aqui do Brasil, a gente chega sem condições de competir com o mercado externo. Nosso produto é pelo menos 40% mais caro feito aqui do lá fora".
Enquanto uma garrafa de Amazon Beer é vendida (sim, vendida, o que quer dizer que já leva em conta os custos de produção e o lucro do empresário) na Inglaterra por 1,20 libras, a mesma garrafinha no Brasil não sai por menos de 10 reais! Diz Caio: "É mais caro mesmo convertendo o preço".
Se a gente converter usando o preço da libra dado pelo Estadão, em torno de R$ 4, isso quer dizer que a mesma cerveja que a gente paga aqui, no mínimo, R$ 10, poderia estar chegando geladinha à nossa goela por R$ 4,80, uma diferença de R$ 5,20, o que daria pra comprar outra garrafa e ainda sobrar troco!
Qual a consequência disso? O Brasil perde em dobro. Perde uma vez por exportar a produção para outros países mais baratos e perde outra vez porque nós, consumidores, somos obrigados a pagar um preço bem mais caro pelo mesmo produto, o que significa que ou a gente gasta mais, ou a gente compra menos (ou ambos, hehe).
Já tá passando da hora de o país acordar para a necessidade "urgente urgentíssima" de simplificarmos e, principalmente, reduzirmos o volume de impostos pagos pelo cidadão brasileiro.
Espanto Moral
Ainda estou abismado com a mais nova malandragem do governo federal. Mas menos pelas consequências econômicas da chantagem do governo Dilma para escapar da justa punição por ter desrespeitado fragorosamente a lei do que por suas implicações morais.
É ingênuo pensar que a postura da mais alta executiva do país não influencie o comportamento do resto da população. E qual é o mais recente exemplo que Dilma Rousseff nos deu? O de que a chantagem pura e simples é uma prática republicana válida, legítima.
Sejamos claros. A "presidenta" descumpriu a LDO, cometeu crime, e poderia até mesmo perder o mandato por isso. Para escapar dessa possibilidade - que, sinceramente, ainda que que não houvesse qualquer modificação na lei para tornar o ilegal, legal, acho que seria extremamente difícil de se concretizar - a mãe Dilmona publicou decreto no Diário Oficial da União abrindo a torneira dos cofres públicos, liberando e aumentando a verba destinada às emendas parlamentares.
Só que, pro capilé sair, os parlamentares têm que se comportar direitinho e fazer o que mamãe Dilmona ordena, ou seja, livrar a cara da digníssima do crime que ela cometeu. Senão, nada feito: não têm nem a grana das emendas e muito menos o aumento dessa verba (leia-se bônus por bom comportamento).
Evidentemente, o dinheiro das emendas, se corretamente utilizado, ajuda às respectivas regiões de origem dos parlamentares, e sua falta pode atrapalhar ou até mesmo impedir a realização de projetos importantes para o progresso desses lugares (como obras de infraestrutura, saneamento básico, escola, hospitais, etc., ainda mais no Brasil, país altamente dependente do Estado), o que, de resto, só agrava a imoralidade da chantagem!
Mas penso que, ainda assim, caberia aos parlamentares, em prol de um bem maior - a preservação da moralidade pública, tão em falta nos dias de hoje - rejeitar a proposta do planalto e lutar pela liberação das emendas em outra oportunidade e com outras armas, mais verdadeiramente republicanas.
Mas, ainda que a proposta seja recusada, é inevitável: ao se comportar da maneira como se comporta, a presidente da república degrada a moral do país e dá um péssimo exemplo tanto ao congresso quanto ao resto dos cidadãos, incentivando-nos a ser imorais também, ao criar um ambiente de permissividade e elasticidade moral.
Quem mais deveria dar o exemplo de estrita correção é justamente a primeira pessoa a quebrar as regras em benefício próprio. Temo pelo destino do Brasil nas mãos de líderes assim, que ao invés de construir, destroem!
ps. A LDO ainda não foi alterada, a votação deve ocorrer hoje. Ainda está em tempo de o congresso dar o exemplo, se a presidente não o faz.
ps2. Duvido que o congresso vá dar o exemplo.
É ingênuo pensar que a postura da mais alta executiva do país não influencie o comportamento do resto da população. E qual é o mais recente exemplo que Dilma Rousseff nos deu? O de que a chantagem pura e simples é uma prática republicana válida, legítima.
Sejamos claros. A "presidenta" descumpriu a LDO, cometeu crime, e poderia até mesmo perder o mandato por isso. Para escapar dessa possibilidade - que, sinceramente, ainda que que não houvesse qualquer modificação na lei para tornar o ilegal, legal, acho que seria extremamente difícil de se concretizar - a mãe Dilmona publicou decreto no Diário Oficial da União abrindo a torneira dos cofres públicos, liberando e aumentando a verba destinada às emendas parlamentares.
Só que, pro capilé sair, os parlamentares têm que se comportar direitinho e fazer o que mamãe Dilmona ordena, ou seja, livrar a cara da digníssima do crime que ela cometeu. Senão, nada feito: não têm nem a grana das emendas e muito menos o aumento dessa verba (leia-se bônus por bom comportamento).
Evidentemente, o dinheiro das emendas, se corretamente utilizado, ajuda às respectivas regiões de origem dos parlamentares, e sua falta pode atrapalhar ou até mesmo impedir a realização de projetos importantes para o progresso desses lugares (como obras de infraestrutura, saneamento básico, escola, hospitais, etc., ainda mais no Brasil, país altamente dependente do Estado), o que, de resto, só agrava a imoralidade da chantagem!
Mas penso que, ainda assim, caberia aos parlamentares, em prol de um bem maior - a preservação da moralidade pública, tão em falta nos dias de hoje - rejeitar a proposta do planalto e lutar pela liberação das emendas em outra oportunidade e com outras armas, mais verdadeiramente republicanas.
Mas, ainda que a proposta seja recusada, é inevitável: ao se comportar da maneira como se comporta, a presidente da república degrada a moral do país e dá um péssimo exemplo tanto ao congresso quanto ao resto dos cidadãos, incentivando-nos a ser imorais também, ao criar um ambiente de permissividade e elasticidade moral.
Quem mais deveria dar o exemplo de estrita correção é justamente a primeira pessoa a quebrar as regras em benefício próprio. Temo pelo destino do Brasil nas mãos de líderes assim, que ao invés de construir, destroem!
ps. A LDO ainda não foi alterada, a votação deve ocorrer hoje. Ainda está em tempo de o congresso dar o exemplo, se a presidente não o faz.
ps2. Duvido que o congresso vá dar o exemplo.
Desespero, Crime e Castigo
O ano ainda não acabou, temos que vencer Dezembro ainda, mas, e isso é líquido e certo, o governo não cumprirá a meta de superavit primário de 2014 (estabelecida em lei, diga-se), o que é crime. Agora, tenta desesperadamente aprovar no congresso a alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias, a LDO - que estabelece a meta de superavit a ser cumprida - para escapar do castigo. Infelizmente, deve conseguir.
Mas afinal de contas, porque o superavit primário é tão importante assim, a ponto de existir uma lei cujo descumprimento pode até mesmo resultar em impeachment do presidente - explicando o desespero do planalto em alterar a lei?
A resposta é mais simples de entender do que parece. Como qualquer pessoa, família ou empresa, também o governo tem um orçamento pra se virar e pagar as suas contas durante o ano. Que contas são essas? Salário dos servidores públicos, fornecedores, gastos com educação, saúde, investimentos públicos, programas sociais e por aí vai. Só que, assim como quando alguém vai comprar um carro e não tem o dinheiro todo na carteira e precisa fazer um financiamento, leia-se pegar dinheiro emprestado, também os governos têm que pedir dinheiro emprestado para honrar seus compromissos e realizar um sem número de políticas públicas.
Só que todos sabemos que, quando pedimos dinheiro emprestado, incorremos também no pagamento de juros. E é exatamente aí que entra o famoso superavit primário. Ele é, grosso modo, calculado da seguinte maneira:
Receitas do Governo - Despesas do Governo (exceto o pagamento dos juros da dívida pública) = Resultado Primário
Se o governo arrecadou mais do que gastou, e o resultado primário é positivo, tem-se o superávit primário. E pra que ele serve, afinal de contas? Serve justamente pra pagar os juros da dívida pública. Além de pagar os juros atuais da dívida, o superávit sinaliza aos investidores (todos aqueles que compraram títulos do tesouro) que o governo está com as contas em ordem e que não só agora, mas também no futuro, o estado será capaz de honrar seus compromissos (ou seja, pagar o que deve). Além disso, como ele é bom pagador, quando pedir emprestado novamente, as pessoas vão tender a pedir uma taxa de juros menor, pois têm segurança de que irão receber seu dinheiro de volta na data combinada.
Agora, quando um governo gasta mais do que arrecada, ele tem um déficit primário, ou seja, o que ele arrecadou naquele período não foi suficiente nem mesmo para ele pagar suas contas, quem dirá para pagar os juros! E qual o perigo disso? Além de não ter dinheiro em caixa para pagar a atual leva de juros, o déficit sinaliza aos investidores que aquele governo é gastão, irresponsável, e que pode ter dificuldades de pagar as suas contas no futuro. Obviamente, assim como você não vai querer emprestar dinheiro pro seu cunhado caloteiro, ninguém também vai querer emprestar dinheiro pra esse governo gastão. O que faz que, quando tiver que pedir emprestado de novo, ele tenha que pagar
juros maiores pra convencer as pessoas a liberar o dindin.
Ademais, além da imagem do país, internamente e no exterior, tanto uma quanto outra situação refletem-se sobre outras variáveis da economia, como inflação, câmbio, expectativas, etc., todas de essencial importância para o país crescer. Por isso é tão importante os governos terem suas contas em ordem, em especial num país como o Brasil, com baixa taxa de poupança interna e que, portanto, depende da disposição de pessoas e empresas de fora do país a investirem aqui dentro. Contas do governo em ordem significa uma contribuição inestimável a que também essas outras variáveis estejam em ordem, facilitando e abrindo caminho para o país deslanchar e crescer a todo vapor.
Só que, ao gastar mais do que deveria, o governo Dilma manchou nossa reputação, aqui dentro e principalmente no exterior, fazendo com que os investidores internacionais ficassem menos dispostos a colocar dinheiro aqui dentro. Agora, com a proposta de alteração na LDO, de modo a mandar a meta fiscal pras cucuias, a mensagem que o governo manda é que não está nem aí, que é assim mesmo e que tem que gastar os tubos mesmo!
Se a alteração na lei for realmente aprovada, como acho que será, o congresso terá sancionado um crime e o governo escapado do seu castigo. Mas os brasileiros não escaparão.
Mas afinal de contas, porque o superavit primário é tão importante assim, a ponto de existir uma lei cujo descumprimento pode até mesmo resultar em impeachment do presidente - explicando o desespero do planalto em alterar a lei?
A resposta é mais simples de entender do que parece. Como qualquer pessoa, família ou empresa, também o governo tem um orçamento pra se virar e pagar as suas contas durante o ano. Que contas são essas? Salário dos servidores públicos, fornecedores, gastos com educação, saúde, investimentos públicos, programas sociais e por aí vai. Só que, assim como quando alguém vai comprar um carro e não tem o dinheiro todo na carteira e precisa fazer um financiamento, leia-se pegar dinheiro emprestado, também os governos têm que pedir dinheiro emprestado para honrar seus compromissos e realizar um sem número de políticas públicas.
Só que todos sabemos que, quando pedimos dinheiro emprestado, incorremos também no pagamento de juros. E é exatamente aí que entra o famoso superavit primário. Ele é, grosso modo, calculado da seguinte maneira:
Receitas do Governo - Despesas do Governo (exceto o pagamento dos juros da dívida pública) = Resultado Primário
Se o governo arrecadou mais do que gastou, e o resultado primário é positivo, tem-se o superávit primário. E pra que ele serve, afinal de contas? Serve justamente pra pagar os juros da dívida pública. Além de pagar os juros atuais da dívida, o superávit sinaliza aos investidores (todos aqueles que compraram títulos do tesouro) que o governo está com as contas em ordem e que não só agora, mas também no futuro, o estado será capaz de honrar seus compromissos (ou seja, pagar o que deve). Além disso, como ele é bom pagador, quando pedir emprestado novamente, as pessoas vão tender a pedir uma taxa de juros menor, pois têm segurança de que irão receber seu dinheiro de volta na data combinada.
Agora, quando um governo gasta mais do que arrecada, ele tem um déficit primário, ou seja, o que ele arrecadou naquele período não foi suficiente nem mesmo para ele pagar suas contas, quem dirá para pagar os juros! E qual o perigo disso? Além de não ter dinheiro em caixa para pagar a atual leva de juros, o déficit sinaliza aos investidores que aquele governo é gastão, irresponsável, e que pode ter dificuldades de pagar as suas contas no futuro. Obviamente, assim como você não vai querer emprestar dinheiro pro seu cunhado caloteiro, ninguém também vai querer emprestar dinheiro pra esse governo gastão. O que faz que, quando tiver que pedir emprestado de novo, ele tenha que pagar
juros maiores pra convencer as pessoas a liberar o dindin.
Ademais, além da imagem do país, internamente e no exterior, tanto uma quanto outra situação refletem-se sobre outras variáveis da economia, como inflação, câmbio, expectativas, etc., todas de essencial importância para o país crescer. Por isso é tão importante os governos terem suas contas em ordem, em especial num país como o Brasil, com baixa taxa de poupança interna e que, portanto, depende da disposição de pessoas e empresas de fora do país a investirem aqui dentro. Contas do governo em ordem significa uma contribuição inestimável a que também essas outras variáveis estejam em ordem, facilitando e abrindo caminho para o país deslanchar e crescer a todo vapor.
Só que, ao gastar mais do que deveria, o governo Dilma manchou nossa reputação, aqui dentro e principalmente no exterior, fazendo com que os investidores internacionais ficassem menos dispostos a colocar dinheiro aqui dentro. Agora, com a proposta de alteração na LDO, de modo a mandar a meta fiscal pras cucuias, a mensagem que o governo manda é que não está nem aí, que é assim mesmo e que tem que gastar os tubos mesmo!
Se a alteração na lei for realmente aprovada, como acho que será, o congresso terá sancionado um crime e o governo escapado do seu castigo. Mas os brasileiros não escaparão.
segunda-feira, 24 de novembro de 2014
PIBinho, PIBículo, PIBínfimo!
Toda segunda-feira, o Banco Central divulga o Boletim Focus, pesquisa realizada com os principais agentes do mercado financeiro sobre suas expectativas de crescimento do PIB, SELIC - a taxa de juros básica da economia - e taxa de inflação.
Na pesquisa divulgada esta semana, "a mediana das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu de aumento de 0,21% para alta de 0,20%. Há um mês, a estimativa era de crescimento de 0,27%. Para 2015, a aposta seguiu inalterada em 0,80%.", segundo nota do Valor Econômico.
Ainda que a projeção tivesse triplicado, quadruplicado, quintuplicado, o crescimento esperado para a economia em 2014 ainda seria ridículo! Para 2015, as coisas não são muito "menos piores", com a expectativa de expansão da economia em 0,8%.
O que espanta é um país como tamanho e as características demográficas da população brasileira - com alto número de jovens -, com o nível baixo da renda média do povo e com a consequente necessidade de termos altas taxas de crescimento por períodos prolongados apresentar esse crescimento pífio. Espanta também que esse crescimento é bem menor tanto que o de países desenvolvidos quanto de outros países emergentes, incluindo aí nossos vizinhos latino-americanos.
Culpa de quem? Culpa da falta de liberalismo no Brasil, do tamanho e do excesso de intervenção do Estado na economia do país e do aumento exponencial das trapalhadas em política econômica à partir do segundo governo Lula.
Tivéssemos uma economia com menos estado, mais livre, mais aberta ao comércio e à competição internacional, mais capitalista, enfim, eu tenho certeza de que poderíamos ter de maneira sustentada taxas de crescimento do PIB acima de 5% com facilidade, o que mudaria radicalmente - para melhor! - a vida de milhões de pessoas, tanto agora quanto, principalmente, no futuro.
Na pesquisa divulgada esta semana, "a mediana das projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) do país caiu de aumento de 0,21% para alta de 0,20%. Há um mês, a estimativa era de crescimento de 0,27%. Para 2015, a aposta seguiu inalterada em 0,80%.", segundo nota do Valor Econômico.
Ainda que a projeção tivesse triplicado, quadruplicado, quintuplicado, o crescimento esperado para a economia em 2014 ainda seria ridículo! Para 2015, as coisas não são muito "menos piores", com a expectativa de expansão da economia em 0,8%.
O que espanta é um país como tamanho e as características demográficas da população brasileira - com alto número de jovens -, com o nível baixo da renda média do povo e com a consequente necessidade de termos altas taxas de crescimento por períodos prolongados apresentar esse crescimento pífio. Espanta também que esse crescimento é bem menor tanto que o de países desenvolvidos quanto de outros países emergentes, incluindo aí nossos vizinhos latino-americanos.
Culpa de quem? Culpa da falta de liberalismo no Brasil, do tamanho e do excesso de intervenção do Estado na economia do país e do aumento exponencial das trapalhadas em política econômica à partir do segundo governo Lula.
Tivéssemos uma economia com menos estado, mais livre, mais aberta ao comércio e à competição internacional, mais capitalista, enfim, eu tenho certeza de que poderíamos ter de maneira sustentada taxas de crescimento do PIB acima de 5% com facilidade, o que mudaria radicalmente - para melhor! - a vida de milhões de pessoas, tanto agora quanto, principalmente, no futuro.
domingo, 23 de novembro de 2014
Os Jogos São Vorazes, Mas São Predadores? Ou: Quem Preda Quem, Aqui?
Depois de um longo e tenebroso inverno, eis que voltamos à ativa. Desta vez, espero que permanentemente.
Então "vamo lá"!
Pra reaquecer os motores (os assuntos mais polêmicos vão ficar pra mais tarde, depois que eu recuperar o ritmo), comento sobre uma declaração da Ancine, para quem a estreia do filme Jogos Vorazes no Brasil foi "predatória".
Para Manoel Rangel, presidente da agência reguladora, lançamentos predatórios "são os que ocupam muitas telas em poucos complexos". Segundo ele, tais superestreias, "expulsam" outros filmes do circuito, "homogeneizando a oferta e acabando com a diversidade". Ainda de acordo com o presidente da Ancine, "O espectador que encontrar apenas um título em quase 50% das salas desiste. É menos ingresso sendo vendido e redução do hábito do cinema".
Até aí, vá lá, tudo bem. Os problemas começam quando ele propõe como solução estabelecer uma cota de x% das telas para os blockbusters, seguindo o exemplo da França. A medida, a meu ver, é incompatível com um sistema institucional de plenas liberdades individuais e trai um profundo desconhecimento da mais básica das leis econômicas: oferta e demanda.
É irritante essa mania, no Brasil, de que compete ao Estado zelar, cuidar, tutelar o cidadão, como se fôssemos todos crianças ou, pior ainda, deficientes mentais, incapazes de decidirmos, nós mesmos, o queremos para as nossas vida. Não compete! O Estado deveria apenas garantir um tal marco institucional de modo que eu (e você também, caro leitor) pudesse fazer, livremente, minhas próprias escolhas e, eventualmente, de maneira emergencial, assistencial e temporária, auxiliar aqueles cidadãos em situação de grande risco (miséria e desastres naturais, por exemplo). Não cabe ao Estado, através da Ancine, garantir a pluralidade nas salas de cinema. Cabe aos consumidores, se e somente se, assim o desejarem, demandá-la.
Ainda mais hoje, com a profusão de redes sociais e a conexão cada vez mais veloz de pessoas com interesses em comum, a "solução" da Ancine é, além de autoritária, anacrônica. Seria relativamente simples aos frequentadores de cinema se organizarem e pressionarem as salas exibidoras por maior diversidade de filmes se assim fosse a sua vontade. Não precisa vir a Ancine e obrigar as pessoas a fazerem o que não é do seu desejo.
Filmes e salas de cinemas, antes de serem bens culturais essenciais, são produtos e negócios, devendo servir aos seus respectivos donos. E é aí que a Ancine demonstra completo desconhecimento sobre o funcionamento de um mercado (qualquer um), além de ignorar o relógio. Explico:
Como ninguém é (e nem deveria ser) obrigado a comprar um ingresso de cinema ou assistir a determinada película, para que filmes e cinemas possam servir aos seus donos, eles devem, necessariamente e da melhor forma possível, servir os seus consumidores - no caso, o digníssimo espectador - sob pena de o negócio ruir.
Assim, caso as estreias monstruosas estivessem realmente ferindo o melhor interesse do espectador, certamente a venda de ingressos cairia e o hábito de ir ao cinema diminuiria, como bem pontuou o sr. Rangel. Só que, evidentemente, as distribuidoras e multiplexes não ficariam paradas. Procurariam saber as causas da queda na venda de ingressos. De certo, suas pesquisas identificariam (ainda que não imediatamente, provavelmente) o desejo de um maior número de títulos em exibição por parte dos frequentadores, de modo que, nas próximas exibições e nos próximos lançamentos, ajustariam a sua conduta, diminuindo o espaço do filme "predador" em prol da maior variedade.
"Ah, mas e se os consumidores estiverem satisfeitos, como fica a diversidade e a riqueza cultural do país?". Bem, certamente essas perderiam, o que eu muito lamentaria, mas se a maioria dos frequentadores estão satisfeitos com esse cenário, paciência. Não é porque eu não gosto de uma coisa que eu deva poder (através da interferência do Estado) obrigar as outras pessoas a mudar e fazer o que eu quero.
Desse modo, no caso, se alguém ameaça predar alguém aqui, esse alguém é a Ancine.
ps1. Caso realmente quisesse incentivar o hábito e a cultura cinematográfica e no país, a Ancine deveria pressionar o governo a diminuir ao máximo a regulamentação do setor, de modo que os custos de produção e distribuição de um filme e de construção e operação de novas salas de cinema pudessem cair, estimulando a concorrência, maior aliada da diversidade e do espectador.
ps2. Não é com subsídios e cotas que o ps1. será atingido, mas com menos interferência e regras simples, claras e isonômicas para todos.
Então "vamo lá"!
Pra reaquecer os motores (os assuntos mais polêmicos vão ficar pra mais tarde, depois que eu recuperar o ritmo), comento sobre uma declaração da Ancine, para quem a estreia do filme Jogos Vorazes no Brasil foi "predatória".
Para Manoel Rangel, presidente da agência reguladora, lançamentos predatórios "são os que ocupam muitas telas em poucos complexos". Segundo ele, tais superestreias, "expulsam" outros filmes do circuito, "homogeneizando a oferta e acabando com a diversidade". Ainda de acordo com o presidente da Ancine, "O espectador que encontrar apenas um título em quase 50% das salas desiste. É menos ingresso sendo vendido e redução do hábito do cinema".
Até aí, vá lá, tudo bem. Os problemas começam quando ele propõe como solução estabelecer uma cota de x% das telas para os blockbusters, seguindo o exemplo da França. A medida, a meu ver, é incompatível com um sistema institucional de plenas liberdades individuais e trai um profundo desconhecimento da mais básica das leis econômicas: oferta e demanda.
É irritante essa mania, no Brasil, de que compete ao Estado zelar, cuidar, tutelar o cidadão, como se fôssemos todos crianças ou, pior ainda, deficientes mentais, incapazes de decidirmos, nós mesmos, o queremos para as nossas vida. Não compete! O Estado deveria apenas garantir um tal marco institucional de modo que eu (e você também, caro leitor) pudesse fazer, livremente, minhas próprias escolhas e, eventualmente, de maneira emergencial, assistencial e temporária, auxiliar aqueles cidadãos em situação de grande risco (miséria e desastres naturais, por exemplo). Não cabe ao Estado, através da Ancine, garantir a pluralidade nas salas de cinema. Cabe aos consumidores, se e somente se, assim o desejarem, demandá-la.
Ainda mais hoje, com a profusão de redes sociais e a conexão cada vez mais veloz de pessoas com interesses em comum, a "solução" da Ancine é, além de autoritária, anacrônica. Seria relativamente simples aos frequentadores de cinema se organizarem e pressionarem as salas exibidoras por maior diversidade de filmes se assim fosse a sua vontade. Não precisa vir a Ancine e obrigar as pessoas a fazerem o que não é do seu desejo.
Filmes e salas de cinemas, antes de serem bens culturais essenciais, são produtos e negócios, devendo servir aos seus respectivos donos. E é aí que a Ancine demonstra completo desconhecimento sobre o funcionamento de um mercado (qualquer um), além de ignorar o relógio. Explico:
Como ninguém é (e nem deveria ser) obrigado a comprar um ingresso de cinema ou assistir a determinada película, para que filmes e cinemas possam servir aos seus donos, eles devem, necessariamente e da melhor forma possível, servir os seus consumidores - no caso, o digníssimo espectador - sob pena de o negócio ruir.
Assim, caso as estreias monstruosas estivessem realmente ferindo o melhor interesse do espectador, certamente a venda de ingressos cairia e o hábito de ir ao cinema diminuiria, como bem pontuou o sr. Rangel. Só que, evidentemente, as distribuidoras e multiplexes não ficariam paradas. Procurariam saber as causas da queda na venda de ingressos. De certo, suas pesquisas identificariam (ainda que não imediatamente, provavelmente) o desejo de um maior número de títulos em exibição por parte dos frequentadores, de modo que, nas próximas exibições e nos próximos lançamentos, ajustariam a sua conduta, diminuindo o espaço do filme "predador" em prol da maior variedade.
"Ah, mas e se os consumidores estiverem satisfeitos, como fica a diversidade e a riqueza cultural do país?". Bem, certamente essas perderiam, o que eu muito lamentaria, mas se a maioria dos frequentadores estão satisfeitos com esse cenário, paciência. Não é porque eu não gosto de uma coisa que eu deva poder (através da interferência do Estado) obrigar as outras pessoas a mudar e fazer o que eu quero.
Desse modo, no caso, se alguém ameaça predar alguém aqui, esse alguém é a Ancine.
ps1. Caso realmente quisesse incentivar o hábito e a cultura cinematográfica e no país, a Ancine deveria pressionar o governo a diminuir ao máximo a regulamentação do setor, de modo que os custos de produção e distribuição de um filme e de construção e operação de novas salas de cinema pudessem cair, estimulando a concorrência, maior aliada da diversidade e do espectador.
ps2. Não é com subsídios e cotas que o ps1. será atingido, mas com menos interferência e regras simples, claras e isonômicas para todos.
domingo, 13 de julho de 2014
1%
No post anterior, comentei um pouquinho sobre o desempenho pífio do setor industrial e comparei a economia brasileira a um carro quase parando e ainda pisando no freio. Pois é! Eis que surge nos sites dos jornais e revistas, confirmando aquilo que eu escrevi, a notícia de que bancos e consultorias econômicas estão prevendo que a economia brasileira deve crescer menos de 1% em 2014.
É péssimo, um resultado pífio, incapaz de atender às necessidades brasileiras! Um crescimento de 1% é muito menos do que o país poderia estar crescendo em condições ideais e o culpado não é outro senão o governo que está aí. Dentro em breve, pretendo fazer uma série de posts explicando bem didaticamente um pouquinho de teoria econômica, aí vocês poderão entender melhor o tamanho da estupidez do que o governo vem fazendo e que, pior ainda, não é inédito! O que está sendo feito agora já foi feito no passado com os mesmos resultados ruins para o país. Parece vinil arranhado. Muda o disco!
Sob as justificativas principais de incentivar a economia, atuando como a locomotiva do crescimento, proteger os empregos e promover a justiça e a inclusão social, o governo petista intervêm com mão pesada, tentando micro-gerenciar a economia. Ainda que os motivos sejam, sim, totalmente louváveis (quem não acha louvável o crescimento econômico, a manutenção de um alto nível de emprego e que os pobres ganhem mais dinheiro e tenham mais acesso tanto a bens materiais quanto à cultura? Eu acho muito!) os meios escolhidos para atingi-los são totalmente errados.
Pra começar temos o aspecto moral da coisa. Ao intervir no funcionamento do livre-mercado, que nada mais é que o produto das livres escolhas de milhões de indivíduos, incluindo eu e você, o que o governo diz é que nós não podemos escolher aquilo que nós efetivamente escolhemos, que nós não podemos comprar e consumir aquilo que nós gostaríamos comprar e consumir. Ainda que isso seja, sim, motivo para debates filosóficos profundos e ainda que em algumas situações a intervenção da força coercitiva do estado seja justificável e até mesmo desejável, alguma medida há que ter! E o governo Dilma já passou demais da conta!
Em seguida, temos as consequências puramente econômicas da coisa - que em última análise são corolários das implicações morais. Ao intervir na economia o estado distorce seus preços. Essa distorção impede a coordenação dos agentes econômicos, ou seja, impede que as firmas, seus empregados, fornecedores e consumidores se entendam e combinem suas ações, gerando falsas impressões, distorcendo suas decisões, fazendo com que escolham errado ou escolham menos bem do que poderiam.
Pode parecer estranho à primeira vista, mas um preço não é somente um número, ele é, na realidade, um "livro", que juntamente com seus movimentos ao longo do tempo nos conta uma história.
O preço alto de um computador, por exemplo, nos conta que ele é um bem escasso, que ele é altamente desejado pelas pessoas mas que sua produção é pequena em relação ao total daquelas que o almejam, de modo que somente aqueles indivíduos que mais o desejam e podem pagar por ele irão tê-lo. Mas o preço alto também nos diz que, em face disso, compensa aumentar a produção, ou investir para que ela possa aumentar no futuro, permitindo, assim, o acesso de mais pessoas ao computador. E isso ainda que o preço tenha que baixar - o lucro ganho com cada computador diminui, mas o lucro total do fabricante aumenta, pois o aumento nas vendas de computadores mais do que compensa a queda no lucro de cada unidade.
O preço alto de um computador, por exemplo, nos conta que ele é um bem escasso, que ele é altamente desejado pelas pessoas mas que sua produção é pequena em relação ao total daquelas que o almejam, de modo que somente aqueles indivíduos que mais o desejam e podem pagar por ele irão tê-lo. Mas o preço alto também nos diz que, em face disso, compensa aumentar a produção, ou investir para que ela possa aumentar no futuro, permitindo, assim, o acesso de mais pessoas ao computador. E isso ainda que o preço tenha que baixar - o lucro ganho com cada computador diminui, mas o lucro total do fabricante aumenta, pois o aumento nas vendas de computadores mais do que compensa a queda no lucro de cada unidade.
Ao final, quem sai ganhando? Todo mundo!!! As firmas, pois vendem mais e lucram mais, os trabalhadores, pois mantêm o seu emprego, além do que empresas que lucram mais podem pagar melhores salários, o governo, pois arrecada mais impostos, e os consumidores, pois o preço baixa, de modo mais pessoas podem comprar o mesmo computador e a um preço mais baixo!
Ao intervir na economia (leia-se nos preços), porém, o governo impede o livro "preço" de contar a sua história e as pessoas de o lerem.
Não é algo tão difícil de entender, na realidade, é algo até bastante simples. A economia é um todo complexo que surge de escolhas simples. Mas é ao intervir nessa simplicidade para gerenciar a complexidade que o governo colhe esses (menos de) 1% que vemos atualmente.
Ao intervir na economia (leia-se nos preços), porém, o governo impede o livro "preço" de contar a sua história e as pessoas de o lerem.
Não é algo tão difícil de entender, na realidade, é algo até bastante simples. A economia é um todo complexo que surge de escolhas simples. Mas é ao intervir nessa simplicidade para gerenciar a complexidade que o governo colhe esses (menos de) 1% que vemos atualmente.
Assinar:
Postagens (Atom)