Faço um apanhado, comentando algumas notícias com dados que saíram sobre o desempenho da indústria brasileira.
A primeira diz que, em maio, a produção industrial no país caiu em 7 das 14 regiões pesquisadas pelo IBGE e 0,6% no agregado do país, apesar de a outra metade das regiões terem tido desempenho positivo. A segunda informa que, também em maio, o emprego no setor industrial caiu 0,7% em relação a abril de 2014 e 2,6% na comparação com maio de 2013. A terceira notícia dá conta de que o índice que mede a confiança dos empresários do setor industrial caiu em 3,9% junho de 2014 sobre o final de maio e que o Nível de Utilização da Capacidade Instalada também recuou, 0,8%, em relação a maio.
Pois bem! O que isso tudo quer dizer, afinal? De maneira simples, quer dizer que o Brasil está parando. Se a gente fosse um carro, já está andando devagarinho, devagarinho e ainda pisando mais fundo no freio. Não obstante, a inflação continua alta, ou seja, o motor do carro está fundindo - e não precisamos do IPCA pra ver isso. Todos nós podemos sentir o aumento dos preços "na pele" a cada ida ao supermercado.
Quem já foi vai entender. O Brasil está descendo a serra de Ubatuba. A gente desce com o carro engrenado, pisando no freio, devagar quase parando e o motor do carro quase derretendo. Se pra descer a serra isso é normal devido ao esforço do carro, na economia, porém, é uma anomalia sem tamanho! Pra isso acontecer, quem decide a política econômica do país, o governo, tem de fazer um esforço danado pra fazer a coisa errada!
Apesar dos enormes incentivos e benesses governamentais, ou justamente por causa deles, as industriais estão produzindo menos e, o que é tão grave quanto, o otimismo dos empresários está caindo, o que quer dizer que eles não têm perspectivas de que as coisas venham a melhorar num prazo razoável e temem que elas podem até mesmo piorar, o que pode levá-los a cortar ainda mais a produção atual e com certeza fará com que eles não invistam para aumentar a sua produção lá na frente, por acharem que não conseguirão vender seus produtos no futuro. Aí então entramos em uma ciranda do infortúnio e as três notícias se conectam.
Funciona mais ou menos assim:
Situação atual ruim + falta de confiança no futuro => queda na produção (notícia 1) => menos demanda por trabalhadores nas fábricas => queda no emprego (notícia 2) => queda na renda das pessoas afetadas e da economia como um todo => menos demanda pelos bens que as indústrias produzem => queda nas vendas => situação atual ruim + falta de confiança no futuro (notícia 3).
Daí vem o governo e, "jenialmente", pensa: "O que é que eu posso fazer, no que se refere a ajudar o setor industrial? Já sei, vou dar subsídios e aumentar os meus gastos, daí eu alivio a barra das empresas e também aumento a demanda por bens industriais, o que aumenta as vendas e o faturamento do setor, ou seja, a situação atual fica supimpa! e a confiança também volta. Daí fica tudo bem, eu saio linda e superior no selfie e ainda mando beijinho no ombro pros pessimistas!"
SQN! Esse esqueminha miojo (resolve os problemas da economia em 3 minutos) não funciona, e o governo, ao intervir na economia, ao invés de melhorar só faz a situação atual ficar pior ainda e o otimismo dos empresários com o futuro diminuir mais um pouco, realimentando a ciranda viciosa! Por que não funciona? Fica pra outro artigo.
No entanto, tem uma coisa muito mais simples que miojo, porém infinitamente mais difícil, de o governo fazer, que na realidade é a única coisa que realmente funciona (de maneira sustentada): sair da frente! Deixar de intervir. Privatizar a economia, ou seja, deixá-la aos cuidados dos indivíduos!
Pra resumir em duas palavrinhas mágicas: laissez faire.
domingo, 13 de julho de 2014
quarta-feira, 9 de julho de 2014
Delfim e o animal inteligente. Ou: #ficadica
Depois de um longo e tenebroso inverno, voltamos à ativa!
Li no blog do Rodrigo Constantino comentário sobre o texto do Delfim Netto na Folha. Depois, obviamente, fui lá e li a referida coluna e... Discordei logo de cara! Começa Delfim:
Hoje somos todos "marxistas", exatamente como somos cartesianos, kantianos, weberianos, keynesianos, einstenianos e assim por diante. Para qualquer animal inteligente na segunda década do século 21, Marx é necessário, mas não suficiente.
"Devagar com o andor que o santo é de barro!", como diria minha amada mãe. Não sou um gênio, mas me considero um animal razoavelmente inteligente e nem por isso acho Marx "necessário". De fato, considero Marx, no mínimo, desnecessário, quando não pernicioso mesmo! E não estou falando do revolucionário, que até Delfim condena, falo do teórico econômico mesmo. Um dos pilares, se não "o" pilar, da teoria econômica marxista, a mais-valia, é, sinceramente, uma besteira gigantesca, monumental, estratosférica, ímpar, pantagruélica! Resumindo, é uma baboseira sem pé nem cabeça e nem sentido.
Depois, segue Delfim afirmando que de sua teoria sobraram "sólidos resíduos, incorporados definitivamente à consciência da humanidade" (???), e que hoje já estão perdendo a identificação com o autor que os criou por estarem se diluindo no caldo que "se supõe ser o estoque das 'verdades' que conhecemos", verdades entre aspas mesmo, de quebra dando a entender que a verdade verdadeira mesmo (e por favor me perdoem a tautologia) é algo assim que, "na real", não existe (ou ainda que seja algo que nós humanos não possamos, de fato, conhecer)!
Mas por outro lado, pensando bem... Taí! Nisso eu posso concordar com o Delfimzão! Na cultura humana estão "submersos" tanto verdades quanto mentiras e o marxismo, adivinhem!, faz parte do conjunto de mentiras.
Por fim, diz Delfim:
A miséria humana não é produto da propriedade privada, pelo menos não exclusivamente.
Sempre que leio ou ouço alguém condenando a propriedade privada como causa, ainda que parcial, da miséria e da pobreza dos seres humanos me dá um faniquito intelectual. Esse pessoal acha, ainda que não tenha totalmente consciência disso, que a riqueza nasce do "éter", que ela está ali, sempre esteve, e simplesmente foi apropriada por uns poucos, demandando, portanto, sua distribuição equitativa. Ignoram, ou fingem ignorar, que a riqueza não se cria sozinha, que ela é, ao contrário, produto da criatividade e da ação humanas. Esquecem-se de fazer o "antes e depois" da humanidade, no tempo. A humanidade, ao menos a esmagadora maioria dela, sempre foi pobre, pobre, pobre de marré deci. Foi justamente a, adivinhem!, propriedade privada que permitiu a criação gigantesca de riqueza e, que coisa não!, que ela se espalhasse por uma humanidade que, ainda por cima, aumentou enormemente de tamanho.
Qualquer animal inteligente na segunda década do século 21 joga Marx na lata do lixo. #ficadica Delfim ;)
Li no blog do Rodrigo Constantino comentário sobre o texto do Delfim Netto na Folha. Depois, obviamente, fui lá e li a referida coluna e... Discordei logo de cara! Começa Delfim:
Hoje somos todos "marxistas", exatamente como somos cartesianos, kantianos, weberianos, keynesianos, einstenianos e assim por diante. Para qualquer animal inteligente na segunda década do século 21, Marx é necessário, mas não suficiente.
"Devagar com o andor que o santo é de barro!", como diria minha amada mãe. Não sou um gênio, mas me considero um animal razoavelmente inteligente e nem por isso acho Marx "necessário". De fato, considero Marx, no mínimo, desnecessário, quando não pernicioso mesmo! E não estou falando do revolucionário, que até Delfim condena, falo do teórico econômico mesmo. Um dos pilares, se não "o" pilar, da teoria econômica marxista, a mais-valia, é, sinceramente, uma besteira gigantesca, monumental, estratosférica, ímpar, pantagruélica! Resumindo, é uma baboseira sem pé nem cabeça e nem sentido.
Depois, segue Delfim afirmando que de sua teoria sobraram "sólidos resíduos, incorporados definitivamente à consciência da humanidade" (???), e que hoje já estão perdendo a identificação com o autor que os criou por estarem se diluindo no caldo que "se supõe ser o estoque das 'verdades' que conhecemos", verdades entre aspas mesmo, de quebra dando a entender que a verdade verdadeira mesmo (e por favor me perdoem a tautologia) é algo assim que, "na real", não existe (ou ainda que seja algo que nós humanos não possamos, de fato, conhecer)!
Mas por outro lado, pensando bem... Taí! Nisso eu posso concordar com o Delfimzão! Na cultura humana estão "submersos" tanto verdades quanto mentiras e o marxismo, adivinhem!, faz parte do conjunto de mentiras.
Por fim, diz Delfim:
A miséria humana não é produto da propriedade privada, pelo menos não exclusivamente.
Sempre que leio ou ouço alguém condenando a propriedade privada como causa, ainda que parcial, da miséria e da pobreza dos seres humanos me dá um faniquito intelectual. Esse pessoal acha, ainda que não tenha totalmente consciência disso, que a riqueza nasce do "éter", que ela está ali, sempre esteve, e simplesmente foi apropriada por uns poucos, demandando, portanto, sua distribuição equitativa. Ignoram, ou fingem ignorar, que a riqueza não se cria sozinha, que ela é, ao contrário, produto da criatividade e da ação humanas. Esquecem-se de fazer o "antes e depois" da humanidade, no tempo. A humanidade, ao menos a esmagadora maioria dela, sempre foi pobre, pobre, pobre de marré deci. Foi justamente a, adivinhem!, propriedade privada que permitiu a criação gigantesca de riqueza e, que coisa não!, que ela se espalhasse por uma humanidade que, ainda por cima, aumentou enormemente de tamanho.
Qualquer animal inteligente na segunda década do século 21 joga Marx na lata do lixo. #ficadica Delfim ;)
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Este é o Brasil do PT. Ou: Então Tá!
Em artigo de 17 de abril no seu blog no Estadão, Celso Ming diz:
"Dois indicadores divulgados nesta quinta-feira interromperam um período de secura de resultados positivos da economia. Um terceiro não é tão bom. O primeiro desses números mais promissores foi o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que apontou para uma inflação mais baixa do que o esperado. (...) Como a evolução do IPCA de março atingira 0,92%, um avanço do IPCA-15, divulgado uma quinzena depois, de apenas 0,73% mostra desaceleração da inflação. Não é tudo maravilha porque, embora mais atenuada, a inflação segue deteriorando o poder aquisitivo do consumidor. Não se concentra sobre dois ou três setores, mas está muito espalhada: seu índice de difusão é elevado, nada menos que 72% dos artigos que compõem a cesta de consumo (média) do brasileiro acusam alta de preços".
Este é o Brasil do PT: uma inflação de 0,72% no mês é considerado um resultado positivo. Então tá!
"Dois indicadores divulgados nesta quinta-feira interromperam um período de secura de resultados positivos da economia. Um terceiro não é tão bom. O primeiro desses números mais promissores foi o Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que apontou para uma inflação mais baixa do que o esperado. (...) Como a evolução do IPCA de março atingira 0,92%, um avanço do IPCA-15, divulgado uma quinzena depois, de apenas 0,73% mostra desaceleração da inflação. Não é tudo maravilha porque, embora mais atenuada, a inflação segue deteriorando o poder aquisitivo do consumidor. Não se concentra sobre dois ou três setores, mas está muito espalhada: seu índice de difusão é elevado, nada menos que 72% dos artigos que compõem a cesta de consumo (média) do brasileiro acusam alta de preços".
Este é o Brasil do PT: uma inflação de 0,72% no mês é considerado um resultado positivo. Então tá!
sábado, 8 de fevereiro de 2014
Ainda a Energia. Agora + Água
Muito bom o programa "Entre Aspas", da Globo News, sobre a situação atual do fornecimento tanto de energia elétrica quanto de água no Brasil, com os professores da USP Benedito Praga e Edimilson Moutinho dos Santos.
Destaco o trecho à partir de 11:14, em que ao responder a pergunta da apresentadora Monica Waldvogel o professor Moutinho dos Santos bota os "pingos nos 'is'", afirmando também (agora na boca de um especialista na área e de maneira ainda mais clara e enfática que eu) vários dos pontos do meu post sobre a crise do setor elétrico. Nas suas palavras, o Brasil comete um "suicídio energético"! Diagnóstico com o qual eu concordo plenamente. Ele também chama atenção ao fato - que eu já havia levantado no meu post - de que insegurança energética prejudica não só o funcionamento atual da economia, mas também investimentos em capacidade futura de produção!
Outro ponto relevante foi a intervenção do professor Praga chamando atenção de que o problema de abastecimento de água passa também por nós, consumidores, que devemos consumir de maneira mais responsável esse recurso, ainda mais quando os investimentos na área são insuficientes. Sem ser um eco-chato, ele nos chama a atenção para que consumamos menos água, sobretudo em épocas de estiagem prolongada e reservatórios em baixa, e para que evitemos o desperdício, e ainda que pequenas economias que tem custo zero para o indivíduo, como desligar a torneira quando estiver escovando os dentes (o exemplo é meu), ao final de um dia podem somar-se um volume de água significativo.
Enfim, assistam ao programa!
#ficadica
ps. E nem longo o programa é, menos de 24 minutinhos.
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
O Brasil Pode Parar. Ou: O Santo Não Tem Culpa
Alerta: vai ficar graaaaaannnnndddeeee!!!
Há algum tempo já, tem me preocupado a situação energética brasileira. Desde o ano passado temos usado intensivamente as usinas termelétricas, mais caras e poluentes, para a geração de eletricidade. E isso com a taxa nanica de expansão do PIB que temos! Imagino como estaríamos agora caso tivéssemos crescido nesses últimos 3 anos o que o ministro da fazenda, Guido Mantega, havia "previsto", algo entre 4% e 4,5% ao ano.
Comecemos com o óbvio ululante: assim como para andar, trabalhar, falar, se exercitar, assistir a um filme, enfim, viver, você precisa se alimentar constantemente, para dos alimentos ingeridos obter a energia necessária à prática de todas essas atividades, também as empresas de um país, para produzir e prosperar, precisam de energia, e essa energia precisa ser obtida de alguma maneira.
Nós, consumidores individuais, familiares (principalmente os mais jovens) tomamos a energia elétrica presente em nossos lares como algo tão natural e corriqueiro que às vezes ela nos parece quase como algo que sempre esteve lá, surgida como que do nada, bastando ligar na tomada ou apertar o interruptor que voilà!, temos luz, água quente no chuveiro, televisão e computador ligados, alimentos conservados na geladeira, cervejinha gelada no congelador. De fato, a energia elétrica só nos chama atenção quando falta! Pouco ou nada paramos para pensar sobre a enorme, complexa e custosa cadeia existente desde a sua geração nas usinas até a nossa tomada, passando entre essas duas pontas pelas centrais de transmissão e distribuição.
Todo esse sistema no Brasil está no seu limite. E a política energética do governo petista tem feito o que pode para atingí-lo mais cedo. 2014, até agora, tem sido um ano fraco para chuvas, o que somado ao forte calor que tem feito, contribui para agravar o problema. Mas não venham por a culpa em São Pedro que o santo não tem nada com isso! Uma crise energética não se cria da noite para o dia. Se hoje corremos o risco real, ainda que por enquanto relativamente baixo, de termos de enfrentar um racionamento mais à frente, a culpa disso é bem terrena.
Por sua própria natureza, tanto a geração quanto a transmissão e distribuição de energia elétrica são investimentos cujo retorno se dá a longo prazo. O maior gasto se dá na construção do próprio empreendimento, na sua fase pré-operacional, enquanto que, uma vez instalado, o volume de eletricidade produzido pode ser variado sem muito custo (desde que dentro do limite da capacidade de geração instalada na usina, claro, além dos qual são necessários novos investimentos na construção e instalação de novas estruturas e equipamentos). Em economês, dizemos que os custos fixos são volumosos, enquanto que os variáveis (dependentes do nível da produção) são baixos.
Ora, para um empresário se engajar em um negócio assim, é fundamental ter o máximo de previsibilidade possível! Se a realidade fugir muito às suas previsões, ele pode ter de amargar um prejuízo gigantesco. E um dos fatores mais determinantes sobre essa realidade é a regulação governamental do setor, ainda mais se nos atentarmos ao fato de que o investimento não é realizado uma vez só. Ao longo da vida do projeto novos aportes de capital devem ser feitos, tanto para a manutenção das atuais estruturas, quanto para sua ampliação e modernização, de modo que a crescente demanda energética possa ser suprida.
Nesse aspecto, definitivamente, Dilma e seu governo vão de mal a pior. Vamos recordar 2012, quando a "presidenta" resolveu baixar na canetada em 20%, em média, o valor da conta de luz e anunciando o feito em rede nacional como se tivesse feito algo de muito bom . De fato, a energia brasileira é cara, e isso encarece nossos produtos e inibe investimentos nos demais setores da economia, mas não é com o populismo do "ou dá ou desce" - quem não aceitasse as tarifas reduzidas impostas pela gerentona não teria suas concessões renovadas - que se resolve o problema.
A Cemig e a Cesp, apesar de estatais, são mais profissionais e independentes pularam fora do barco. A Eletrobras, coitada, controlada pelo governo federal, não teve como escapar e topou o negócio, cuja previsão era de dar um tombo no caixa da empresa da ordem de 70%!
Apesar de gravíssimos, esses não são os únicos problemas. Uma série de investimentos está atrasada, como as linhas de transmissão que ligariam diversos parques eólicos ao sistema nacional. As usinas já estão prontas, mas não podem produzir nenhum megawatt pois simplesmente não há ligação delas com a rede elétrica! Os equipamentos também estão em cacarecos, como fica evidente pelos recentes - e inúmeros - apagões no Brasil, sendo o mais recente essa terça-feira.
Imagino eu que a situação só tende a se agravar. Como, com a redução da tarifa de luz feita na base da canetada as geradoras e distribuidoras de energia conseguiram gerar caixa o suficiente para cobrir a manutenção dos atuais equipamentos e realizar novos investimentos? E com a demanda por energia sempre crescente?
A medida da presidente Dilma foi populista e extremamente irresponsável. No mais, a situação energética caótica no Brasil pode comprometer o crescimento da economia em mais de uma maneira. Não somente o setor energético é prejudicado. Se a oferta de energia é incerta, empresários de outros setores da economia podem decidir adiar ou mesmo cancelar investimentos pelo simples fato de que pode eventualmente "faltar gás" pra tocar as novas máquinas e equipamentos.
A forte escassez de chuvas certamente agrava bastante o problema e se não fossem as termelétricas em funcionamento o Brasil já estaria em um quadro de racionamento, mas planejamento e investimento existem justamente para isso, para que mesmo com São Pedro fazendo jogo duro o pais tenha segurança e previsibilidade em um dos itens mais fundamentais da cadeia produtiva. O sistema já está novamente no limite menos de 15 anos depois do racionamento de 2001 e evidentemente falta (muita) competência ao governo para dar conta do problema.
Por fim, "ainda bem" que a economia brasileira não cresceu o que o governo queria. Tivesse, ao invés de termos atualmente o sistema no limite, certamente já estaríamos enfrentando um novo racionamento! Sim, a inépcia do governo é tamanha que nos obriga a torcer, ao menos em parte, contra o Brasil! É simplesmente um absurdo!
ps. Não é coincidência que tal situação se dê em um dos setores mais estatizados da economia.
ps2. Ufa! Acho que acabou! :)
Há algum tempo já, tem me preocupado a situação energética brasileira. Desde o ano passado temos usado intensivamente as usinas termelétricas, mais caras e poluentes, para a geração de eletricidade. E isso com a taxa nanica de expansão do PIB que temos! Imagino como estaríamos agora caso tivéssemos crescido nesses últimos 3 anos o que o ministro da fazenda, Guido Mantega, havia "previsto", algo entre 4% e 4,5% ao ano.
Comecemos com o óbvio ululante: assim como para andar, trabalhar, falar, se exercitar, assistir a um filme, enfim, viver, você precisa se alimentar constantemente, para dos alimentos ingeridos obter a energia necessária à prática de todas essas atividades, também as empresas de um país, para produzir e prosperar, precisam de energia, e essa energia precisa ser obtida de alguma maneira.
Nós, consumidores individuais, familiares (principalmente os mais jovens) tomamos a energia elétrica presente em nossos lares como algo tão natural e corriqueiro que às vezes ela nos parece quase como algo que sempre esteve lá, surgida como que do nada, bastando ligar na tomada ou apertar o interruptor que voilà!, temos luz, água quente no chuveiro, televisão e computador ligados, alimentos conservados na geladeira, cervejinha gelada no congelador. De fato, a energia elétrica só nos chama atenção quando falta! Pouco ou nada paramos para pensar sobre a enorme, complexa e custosa cadeia existente desde a sua geração nas usinas até a nossa tomada, passando entre essas duas pontas pelas centrais de transmissão e distribuição.
Todo esse sistema no Brasil está no seu limite. E a política energética do governo petista tem feito o que pode para atingí-lo mais cedo. 2014, até agora, tem sido um ano fraco para chuvas, o que somado ao forte calor que tem feito, contribui para agravar o problema. Mas não venham por a culpa em São Pedro que o santo não tem nada com isso! Uma crise energética não se cria da noite para o dia. Se hoje corremos o risco real, ainda que por enquanto relativamente baixo, de termos de enfrentar um racionamento mais à frente, a culpa disso é bem terrena.
Por sua própria natureza, tanto a geração quanto a transmissão e distribuição de energia elétrica são investimentos cujo retorno se dá a longo prazo. O maior gasto se dá na construção do próprio empreendimento, na sua fase pré-operacional, enquanto que, uma vez instalado, o volume de eletricidade produzido pode ser variado sem muito custo (desde que dentro do limite da capacidade de geração instalada na usina, claro, além dos qual são necessários novos investimentos na construção e instalação de novas estruturas e equipamentos). Em economês, dizemos que os custos fixos são volumosos, enquanto que os variáveis (dependentes do nível da produção) são baixos.
Ora, para um empresário se engajar em um negócio assim, é fundamental ter o máximo de previsibilidade possível! Se a realidade fugir muito às suas previsões, ele pode ter de amargar um prejuízo gigantesco. E um dos fatores mais determinantes sobre essa realidade é a regulação governamental do setor, ainda mais se nos atentarmos ao fato de que o investimento não é realizado uma vez só. Ao longo da vida do projeto novos aportes de capital devem ser feitos, tanto para a manutenção das atuais estruturas, quanto para sua ampliação e modernização, de modo que a crescente demanda energética possa ser suprida.
Nesse aspecto, definitivamente, Dilma e seu governo vão de mal a pior. Vamos recordar 2012, quando a "presidenta" resolveu baixar na canetada em 20%, em média, o valor da conta de luz e anunciando o feito em rede nacional como se tivesse feito algo de muito bom . De fato, a energia brasileira é cara, e isso encarece nossos produtos e inibe investimentos nos demais setores da economia, mas não é com o populismo do "ou dá ou desce" - quem não aceitasse as tarifas reduzidas impostas pela gerentona não teria suas concessões renovadas - que se resolve o problema.
A Cemig e a Cesp, apesar de estatais, são mais profissionais e independentes pularam fora do barco. A Eletrobras, coitada, controlada pelo governo federal, não teve como escapar e topou o negócio, cuja previsão era de dar um tombo no caixa da empresa da ordem de 70%!
Apesar de gravíssimos, esses não são os únicos problemas. Uma série de investimentos está atrasada, como as linhas de transmissão que ligariam diversos parques eólicos ao sistema nacional. As usinas já estão prontas, mas não podem produzir nenhum megawatt pois simplesmente não há ligação delas com a rede elétrica! Os equipamentos também estão em cacarecos, como fica evidente pelos recentes - e inúmeros - apagões no Brasil, sendo o mais recente essa terça-feira.
Imagino eu que a situação só tende a se agravar. Como, com a redução da tarifa de luz feita na base da canetada as geradoras e distribuidoras de energia conseguiram gerar caixa o suficiente para cobrir a manutenção dos atuais equipamentos e realizar novos investimentos? E com a demanda por energia sempre crescente?
A medida da presidente Dilma foi populista e extremamente irresponsável. No mais, a situação energética caótica no Brasil pode comprometer o crescimento da economia em mais de uma maneira. Não somente o setor energético é prejudicado. Se a oferta de energia é incerta, empresários de outros setores da economia podem decidir adiar ou mesmo cancelar investimentos pelo simples fato de que pode eventualmente "faltar gás" pra tocar as novas máquinas e equipamentos.
A forte escassez de chuvas certamente agrava bastante o problema e se não fossem as termelétricas em funcionamento o Brasil já estaria em um quadro de racionamento, mas planejamento e investimento existem justamente para isso, para que mesmo com São Pedro fazendo jogo duro o pais tenha segurança e previsibilidade em um dos itens mais fundamentais da cadeia produtiva. O sistema já está novamente no limite menos de 15 anos depois do racionamento de 2001 e evidentemente falta (muita) competência ao governo para dar conta do problema.
Por fim, "ainda bem" que a economia brasileira não cresceu o que o governo queria. Tivesse, ao invés de termos atualmente o sistema no limite, certamente já estaríamos enfrentando um novo racionamento! Sim, a inépcia do governo é tamanha que nos obriga a torcer, ao menos em parte, contra o Brasil! É simplesmente um absurdo!
ps. Não é coincidência que tal situação se dê em um dos setores mais estatizados da economia.
ps2. Ufa! Acho que acabou! :)
sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Arte Estatal
Saiu esta notícia bastante curiosa no site de Veja. Segue trechinho: "Um diretor de teatro jogou um carro contra o portão traseiro do palácio presidencial da França, nesta quinta-feira, em protesto contra cortes governamentais no financiamento das artes, disseram autoridades do país."
Fiquei cá a imaginar que alguns "artistas-intelequituais" tupiniquins possivelmente aprovariam o "protesto". Afinal, é pela arte!!
Não nego, longe de mim, a suma importância da (grande) arte para a vida da pessoa. Como muito poucas coisas ela é capaz de elevar o espírito humano aos mais elevados graus de beleza e nobreza. Tenho a firme convicção de que uma pessoa sem o mínimo de contato com a arte é, sim, mais pobre. Mas, ao contrário do Gregório Duvivier e do diretor do tal teatro francês, não defendo o financiamento público da arte.
Por uma simples razão: é contra a liberdade de escolha das pessoas. Recursos materiais e financeiros não caem do céu, não aparecem do nada, eles têm de ser ou produzidos ou tomados àqueles que os produziram. Dizer que o Estado deve incentivar (leia-se bancar) a arte significa, necessariamente, afirmar que os outros indivíduos devem financiar um projeto artístico quer eles queiram ou não, quer concordem comigo, com o Rodrigo Constantino, com o Gregório e o tal diretor, e considerem as manifestações da alma algo vital, ou não, e achem tudo isso simplesmente uma grande frescura.
E acho que as pessoas têm o direito de desprezar as artes e se recusar a colocar seu rico dinheirinho nelas, por mais que, a meu ver, isso as empobreça sobremaneira.
Ademais, ainda que todos concordássemos que arte importa, teríamos ainda um problema adicional: qual projeto financiar? Pois a arte, por sua própria natureza, é subjetiva, e todos temos os nossos gostos e preferências. Além disso, muito do impacto que uma obra tem em nós depende de nossas próprias vivências, do nosso refinamento (inclusive moral). Uma pintura ou música, por exemplo, que tem grande ressonância na minha alma pode não gerar a menor vibração na sensibilidade do meu vizinho e algo que eu desprezo ele pode considerar sublime. Não seria melhor, então, deixar que eu e ele decidíssemos livremente quais manifestações experimentar?
Até mesmo de um ponto de vista estritamente econômico a liberdade é o melhor caminho. Se um artista tem de se financiar no mercado, vai procurar criar obras que tenham melhor receptividade junto ao seu público, que mais o sensibilize. Logo eu, enquanto consumidor de arte estarei em melhor situação, pois terei a meu dispor criações que melhor manifestem meus gostos e experiências. Já se é o governo o grande mecenas, sua preocupação em agradar seu consumidor cai, e o artista procurará agradar aos poderosos de turno ao invés daqueles que irão realmente experimentar suas obras.
A arte, tal como os indivíduos, precisa ser livre, e definitivamente não é o Estado que irá torná-la assim.
Fiquei cá a imaginar que alguns "artistas-intelequituais" tupiniquins possivelmente aprovariam o "protesto". Afinal, é pela arte!!
Não nego, longe de mim, a suma importância da (grande) arte para a vida da pessoa. Como muito poucas coisas ela é capaz de elevar o espírito humano aos mais elevados graus de beleza e nobreza. Tenho a firme convicção de que uma pessoa sem o mínimo de contato com a arte é, sim, mais pobre. Mas, ao contrário do Gregório Duvivier e do diretor do tal teatro francês, não defendo o financiamento público da arte.
Por uma simples razão: é contra a liberdade de escolha das pessoas. Recursos materiais e financeiros não caem do céu, não aparecem do nada, eles têm de ser ou produzidos ou tomados àqueles que os produziram. Dizer que o Estado deve incentivar (leia-se bancar) a arte significa, necessariamente, afirmar que os outros indivíduos devem financiar um projeto artístico quer eles queiram ou não, quer concordem comigo, com o Rodrigo Constantino, com o Gregório e o tal diretor, e considerem as manifestações da alma algo vital, ou não, e achem tudo isso simplesmente uma grande frescura.
E acho que as pessoas têm o direito de desprezar as artes e se recusar a colocar seu rico dinheirinho nelas, por mais que, a meu ver, isso as empobreça sobremaneira.
Ademais, ainda que todos concordássemos que arte importa, teríamos ainda um problema adicional: qual projeto financiar? Pois a arte, por sua própria natureza, é subjetiva, e todos temos os nossos gostos e preferências. Além disso, muito do impacto que uma obra tem em nós depende de nossas próprias vivências, do nosso refinamento (inclusive moral). Uma pintura ou música, por exemplo, que tem grande ressonância na minha alma pode não gerar a menor vibração na sensibilidade do meu vizinho e algo que eu desprezo ele pode considerar sublime. Não seria melhor, então, deixar que eu e ele decidíssemos livremente quais manifestações experimentar?
Até mesmo de um ponto de vista estritamente econômico a liberdade é o melhor caminho. Se um artista tem de se financiar no mercado, vai procurar criar obras que tenham melhor receptividade junto ao seu público, que mais o sensibilize. Logo eu, enquanto consumidor de arte estarei em melhor situação, pois terei a meu dispor criações que melhor manifestem meus gostos e experiências. Já se é o governo o grande mecenas, sua preocupação em agradar seu consumidor cai, e o artista procurará agradar aos poderosos de turno ao invés daqueles que irão realmente experimentar suas obras.
A arte, tal como os indivíduos, precisa ser livre, e definitivamente não é o Estado que irá torná-la assim.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Surrealismo
Saiu a seguinte notícia na Folha Online, que tem elementos verdadeiramente surreais, a começar pela machete: "Banco Central tem aval do governo para levar Selic a 10%".
Como assim? Só mesmo em Banânia ou em outro país que não sabe pra que serve um Banco Central a autoridade monetária precisa de "aval" do governo para subir as taxas de juros. É por isso que nas melhores economias o BC tem autonomia assegurada por lei, e não pela boa vontade do mandatário de turno. Para que possa cumprir sua função sem interferências, sem precisar da permissão de quem quer que seja.
A função primordial de um Banco Central é assegurar o valor de compra da moeda da nação. E para isso ele pode achar necessário subir a taxa de juros básica da economia. Mas e se o governo não gostar, achar ruim para o crescimento da economia e/ou suas ambições eleitorais? Paciência, oras! Que vá chorar suas pitangas em outro lugar!
Até porque se, no curtíssimo prazo, a alta dos juros pode, sim, ser prejudicial ao crescimento econômico, imediatamente depois, o controle e a diminuição da inflação, ao dar segurança e previsibilidade à economia, o que é essencial para o investimento, contrabalanceia e eventualmente supera os efeitos negativos dos juros mais altos. Mais do que o nível dos juros, é o otimismo dos empresários à respeito do futuro que determina a realização ou não dos investimentos.
Mas a reportagem não parou por aí, segue outro trecho da matéria: "O Banco Central tem o aval do Palácio do Planalto para elevar a taxa de juros, que deve subir hoje de 9% para 9,5% ao ano, para a casa dos dois dígitos caso a inflação indique que não seguirá recuando nos próximos meses.
Ahn?! É isso mesmo?! Eu entendi direito? A grande preocupação do governo petista não é a efetiva corrosão do poder aquisitivo e consequente empobrecimento da população - e atenção, especialmente dos pobres e miseráveis! -, mas a imagem da "presidenta"??? Chamem os médicos urgentemente, porque esse governo sofre de "umbiguismo" em estado terminal!
Segue mais um mimo: "A meta do BC é fazer a inflação deste ano ficar abaixo da do ano passado, de 5,84%."
Pequeno detalhe: a meta do BC para este ano, o ano anterior e para o próximo ano é uma taxa de inflação de 4,5% ao ano. 5,84% não é meta, é incompetência mesmo! As bandas de 2 pontos percentuais para mais ou para menos ao redor da taxa de 4,5% a.a. foram feitas para a acomodação de choques imprevistos e esporádicos na economia, não para mascarar a completa inépcia da equipe econômica petista e permitir que, se a inflação fica abaixo dos 6,5%, o governo saia por aí papagaiando aos quatro ventos que cumpriu a meta de inflação. Não cumpriu!
Definitivamente, idiotice é tanta que beira o surreal!
Como assim? Só mesmo em Banânia ou em outro país que não sabe pra que serve um Banco Central a autoridade monetária precisa de "aval" do governo para subir as taxas de juros. É por isso que nas melhores economias o BC tem autonomia assegurada por lei, e não pela boa vontade do mandatário de turno. Para que possa cumprir sua função sem interferências, sem precisar da permissão de quem quer que seja.
A função primordial de um Banco Central é assegurar o valor de compra da moeda da nação. E para isso ele pode achar necessário subir a taxa de juros básica da economia. Mas e se o governo não gostar, achar ruim para o crescimento da economia e/ou suas ambições eleitorais? Paciência, oras! Que vá chorar suas pitangas em outro lugar!
Até porque se, no curtíssimo prazo, a alta dos juros pode, sim, ser prejudicial ao crescimento econômico, imediatamente depois, o controle e a diminuição da inflação, ao dar segurança e previsibilidade à economia, o que é essencial para o investimento, contrabalanceia e eventualmente supera os efeitos negativos dos juros mais altos. Mais do que o nível dos juros, é o otimismo dos empresários à respeito do futuro que determina a realização ou não dos investimentos.
Mas a reportagem não parou por aí, segue outro trecho da matéria: "O Banco Central tem o aval do Palácio do Planalto para elevar a taxa de juros, que deve subir hoje de 9% para 9,5% ao ano, para a casa dos dois dígitos caso a inflação indique que não seguirá recuando nos próximos meses.
A avaliação do governo é que uma inflação em alta causa mais estragos para a imagem da presidente Dilma que a elevação da taxa Selic, referência para o mercado."
Ahn?! É isso mesmo?! Eu entendi direito? A grande preocupação do governo petista não é a efetiva corrosão do poder aquisitivo e consequente empobrecimento da população - e atenção, especialmente dos pobres e miseráveis! -, mas a imagem da "presidenta"??? Chamem os médicos urgentemente, porque esse governo sofre de "umbiguismo" em estado terminal!
Segue mais um mimo: "A meta do BC é fazer a inflação deste ano ficar abaixo da do ano passado, de 5,84%."
Pequeno detalhe: a meta do BC para este ano, o ano anterior e para o próximo ano é uma taxa de inflação de 4,5% ao ano. 5,84% não é meta, é incompetência mesmo! As bandas de 2 pontos percentuais para mais ou para menos ao redor da taxa de 4,5% a.a. foram feitas para a acomodação de choques imprevistos e esporádicos na economia, não para mascarar a completa inépcia da equipe econômica petista e permitir que, se a inflação fica abaixo dos 6,5%, o governo saia por aí papagaiando aos quatro ventos que cumpriu a meta de inflação. Não cumpriu!
Definitivamente, idiotice é tanta que beira o surreal!
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